Certo, vamos tentar resumir 2010 e início de 2011... senão daqui a pouco estarei tão diferente que vai ser difícil o leitor acompanhar o salto:
1) Fiz uma Mandala em que um dos desejos era ter mais clareza da minha identidade profissional. Cheguei a meus quatro grandes predicados: quero ser relevante para o mundo e para as pessoas, faço sínteses e relacionamento de informações muito bem, gosto de trabalhar com meu lado criativo e tenho habilidade para despertar a motivação, a mobilização, a energia e o otimismo de quem está próximo de mim.
2) Participei do Art of Hosting, o que mudou 2 coisas absolutamente cruciais: conheci a colheita como possibilidade de trabalho, conheci a conexão consigo mesmo e com os demais como estilo de vida. Fiz essas duas escolhas e procurei, durante todo o ano passado, viver em consonância.
3) Me aproximei de pessoas com práticas espirituais muito diversas e me alimento no relacionamento com elas. Sinto ainda maiores impulsos de viver de forma sustentável, em comunhão com as pessoas e com o planeta.
4) Fiz muitos cursos livres e pretendo nunca deixar de investir nisso (meu controlador financeiro íntimo que vá passear em outras bandas). Encontros, conversas, insights, aos milhares!
5) Fui submetida a diversas quebras de paradigma - aos poucos percebo que a abundância de fato existe se você vive nessa cultura. E abundância é mais amplo que apenas dinheiro.
Ok, feito o resumo.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Uma nova década
Janeiro foi um mês que não pareceu passar depressa demais. A teoria de que o tempo passa mais rápido quanto menos coisas diferentes você faz na sua vida tem mesmo uma boa chance de ser verdade.
2010, já percebi, será um ano sem par - em que estudarei muito, por absoluta vontade. O ano em que já comecei a fazer mestrado antes mesmo de decidir o tema do projeto que submeterei para pleitear minha vaga no programa. O ano em que nem bem começou e - lá estou eu: imergindo e viajando para buscar conhecimento em outras terras.
Pela primeira vez estudo coisas que são exatamente o que eu quero crescer para ser.
Antes, minhas opções haviam sido por "ampliar o leque de possibilidades", "diversificar", "me diferenciar" de outros que estivessem nas minhas redondezas. Acabei virando periferia sem ter centro.
Essa etapa acabou. Já era tempo. Que mês tão feliz!
2010, já percebi, será um ano sem par - em que estudarei muito, por absoluta vontade. O ano em que já comecei a fazer mestrado antes mesmo de decidir o tema do projeto que submeterei para pleitear minha vaga no programa. O ano em que nem bem começou e - lá estou eu: imergindo e viajando para buscar conhecimento em outras terras.
Pela primeira vez estudo coisas que são exatamente o que eu quero crescer para ser.
Antes, minhas opções haviam sido por "ampliar o leque de possibilidades", "diversificar", "me diferenciar" de outros que estivessem nas minhas redondezas. Acabei virando periferia sem ter centro.
Essa etapa acabou. Já era tempo. Que mês tão feliz!
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quarta-feira, 1 de julho de 2009
Constatação
Tenho seguido as orientações do guru de viver a cada dia seu próprio mal.
De forma geral, funciona.
De forma geral, funciona.
sábado, 30 de maio de 2009
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O momento do "click"
A pré-adolescência e adolescência é um período realmente confuso. Especialmente no caso de uma pessoa razoável.
Nesse momento da vida, Você começa a desconfiar firmemente que "ser você" é diferente de "ser filho de seus pais". Viveu toda sua vida equivocado e agora você tem duas opções:
1) radicalizar, afirmando que "para ser você mesmo, de agora em diante, não pode mais ser filho dos seus pais" - o que é evidentemente ridículo e contrário às leis da natureza; e
2) tentar encontrar, naquele mar de coisas que seus pais te deram, aquelas que já estavam com você, desde o princípio.
Pessoas razoáveis escolhem o segundo caminho. E isso, meus amigos, é bem pior que encontrar agulha no palheiro (ao procurar agulhas você sabe que formato, temperatura e brilho elas têm). De forma que considero ter saído da adolescência apenas em 2003, aos 24 anos (meu consolo é que muita gente morre velhinha, sem ter superado essa fase).
Os próximos posts contém um pouco da história dessa busca. Os pais, que povoaram boa parte das histórias dos anos 80, cedem lugar a outros personagens, nos anos 90.
No início dos 90, quem começou a me colocar no caminho da "minha verdade" não foi uma pessoa, mas uma revista - que já não existe mais, infelizmente. O nome era Querida, uma revista para meninas adolescentes, de muitas páginas (tinha até lombada), que discutia assuntos de gente jovem, contando com o ponto de vista de gente jovem que quer se entender, além de contrapontos oferecidos por psicólogos e, mais raramente, filósofos e sociólogos. Uma revista realmente diferenciada.
Não sei se a gente escolhe a revista ou a revista nos escolhe, mas sei que cresci muito com as reflexões que ela me proporcionou.
Pena que não consegui fazer o mesmo por ela (como se isso fosse possível...). Pena que minha(s) filha(s) não terão o mesmo benefício.
Nesse momento da vida, Você começa a desconfiar firmemente que "ser você" é diferente de "ser filho de seus pais". Viveu toda sua vida equivocado e agora você tem duas opções:
1) radicalizar, afirmando que "para ser você mesmo, de agora em diante, não pode mais ser filho dos seus pais" - o que é evidentemente ridículo e contrário às leis da natureza; e
2) tentar encontrar, naquele mar de coisas que seus pais te deram, aquelas que já estavam com você, desde o princípio.
Pessoas razoáveis escolhem o segundo caminho. E isso, meus amigos, é bem pior que encontrar agulha no palheiro (ao procurar agulhas você sabe que formato, temperatura e brilho elas têm). De forma que considero ter saído da adolescência apenas em 2003, aos 24 anos (meu consolo é que muita gente morre velhinha, sem ter superado essa fase).
Os próximos posts contém um pouco da história dessa busca. Os pais, que povoaram boa parte das histórias dos anos 80, cedem lugar a outros personagens, nos anos 90.
No início dos 90, quem começou a me colocar no caminho da "minha verdade" não foi uma pessoa, mas uma revista - que já não existe mais, infelizmente. O nome era Querida, uma revista para meninas adolescentes, de muitas páginas (tinha até lombada), que discutia assuntos de gente jovem, contando com o ponto de vista de gente jovem que quer se entender, além de contrapontos oferecidos por psicólogos e, mais raramente, filósofos e sociólogos. Uma revista realmente diferenciada.
Não sei se a gente escolhe a revista ou a revista nos escolhe, mas sei que cresci muito com as reflexões que ela me proporcionou.
Pena que não consegui fazer o mesmo por ela (como se isso fosse possível...). Pena que minha(s) filha(s) não terão o mesmo benefício.
domingo, 23 de novembro de 2008
Primeiro amor
Nos anos 80 eu tive um amor de infância.
Daqueles que ele gosta de você quando você não gosta dele e no momento seguinte invertem-se os papéis. O nome dele era Rodrigo Mateus de Souza Campos, meu melhor amigo.
A "revelação" aconteceu num dia na 2ª série em que a professora perguntou se ele casaria com ela, quando crescesse. O Rodrigo tinha um tipo físico assim, de um futuro Raí, sabe? A professora não era boba nem nada. Mas a resposta do garoto foi não, porque "gostava de outra pessoa". Todos ficaram muito curiosos e atentos a partir daí. Até todo mundo perceber que não tinha pra ninguém. Era de mim mesmo que ele gostava.
Eu imaginava, toda vez que escutava "Quase sem querer", do Legião Urbana (e não era pouco), que era ele quem cantava a música pra mim. Durante o acantonamento, conheci a "Olhar 43", do RPM, e foi nele que pensei enquanto entendia só metade da letra.
Conversar com o Rodrigo foi importante quando meu pai viajou para o Japão. O pai dele também tinha ficado um tempinho no exterior e ele me garantiu que, apesar da saudade, o tempo passava rápido.
Também tenho certeza que ele votou em mim naquela pesquisa feita pelos jornaizinhos da 4ª série, na seção "a menina mais legal na opinião dos meninos". Ganhei com boa margem aquela pesquisa. Pena que, por algum motivo que hoje eu não consigo precisar, não achava viável passar o recreio com os meninos (isso teria me poupado um pouco do sofrimento relatado anteriormente).
Respirei aliviada quando, na festa mais legal de todos os tempos (à qual eu não fui), aconteceram muitos primeiros beijos, mas nenhum com ele.
A história, como qualquer história de amor infantil que se preze, não teve muitos desdobramentos.
Depois que a escola fechou, ele foi para o Ítaca, eu para o Galileu. Ainda o vi saindo pelo portão uma vez, quando passava de carro, voltando pra casa.
Encontrei o Rodrigo depois de muito tempo, quando fui prestar vestibular na ESPM (eu publicidade, ele administração). Nada parecido com o Raí. Depois soube que ele foi pra Ribeirão Preto. Isso é tudo.
Algumas pessoas nunca vão saber a importância que tiveram na curta vida de outras.
A não ser que, inadvertidamente, um dia digitem seu próprio nome no Google e caiam no blog de alguém que fez uma retrospectiva dos anos 80, quase vinte anos depois.
Daqueles que ele gosta de você quando você não gosta dele e no momento seguinte invertem-se os papéis. O nome dele era Rodrigo Mateus de Souza Campos, meu melhor amigo.
A "revelação" aconteceu num dia na 2ª série em que a professora perguntou se ele casaria com ela, quando crescesse. O Rodrigo tinha um tipo físico assim, de um futuro Raí, sabe? A professora não era boba nem nada. Mas a resposta do garoto foi não, porque "gostava de outra pessoa". Todos ficaram muito curiosos e atentos a partir daí. Até todo mundo perceber que não tinha pra ninguém. Era de mim mesmo que ele gostava.
Eu imaginava, toda vez que escutava "Quase sem querer", do Legião Urbana (e não era pouco), que era ele quem cantava a música pra mim. Durante o acantonamento, conheci a "Olhar 43", do RPM, e foi nele que pensei enquanto entendia só metade da letra.
Conversar com o Rodrigo foi importante quando meu pai viajou para o Japão. O pai dele também tinha ficado um tempinho no exterior e ele me garantiu que, apesar da saudade, o tempo passava rápido.
Também tenho certeza que ele votou em mim naquela pesquisa feita pelos jornaizinhos da 4ª série, na seção "a menina mais legal na opinião dos meninos". Ganhei com boa margem aquela pesquisa. Pena que, por algum motivo que hoje eu não consigo precisar, não achava viável passar o recreio com os meninos (isso teria me poupado um pouco do sofrimento relatado anteriormente).
Respirei aliviada quando, na festa mais legal de todos os tempos (à qual eu não fui), aconteceram muitos primeiros beijos, mas nenhum com ele.
A história, como qualquer história de amor infantil que se preze, não teve muitos desdobramentos.
Depois que a escola fechou, ele foi para o Ítaca, eu para o Galileu. Ainda o vi saindo pelo portão uma vez, quando passava de carro, voltando pra casa.
Encontrei o Rodrigo depois de muito tempo, quando fui prestar vestibular na ESPM (eu publicidade, ele administração). Nada parecido com o Raí. Depois soube que ele foi pra Ribeirão Preto. Isso é tudo.
Algumas pessoas nunca vão saber a importância que tiveram na curta vida de outras.
A não ser que, inadvertidamente, um dia digitem seu próprio nome no Google e caiam no blog de alguém que fez uma retrospectiva dos anos 80, quase vinte anos depois.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Amizades
Nos anos 80, o Colégio Gávea existia.
O Gávea é uma escola que guardo com muito carinho dentro do meu coração. Reencontrei sua antiga dona numa viagem recente a Petrópolis e entendi melhor porque a escola era do jeito que era: crianças passando o recreio na sala da diretora (explorando jogos e outras coisas interessantes), aula de ouvir histórias e de cantas música dos titãs (dentro da própria grade curricular), meu poeminha sobre a Amazônia virando ficha de estudos de todos os alunos da 4ª série... Como escola, era um sonho (algo que um dia eu quero proporcionar pros meus filhos). Mas também foi palco de muitos momentos difíceis na minha vida.
Por um azar incrível, as duas pessoas que eu costumava chamar de amigas no início da minha vida eram tudo, menos amigas. Hoje sei que existe nome para o que eu vivia: bullying. Não recomendo.
Minha reação ao ser colocada continuamente "de gelo" (situação em que a regra é as pessoas agirem como se você não existisse), orientada pela voz experiente da minha mãe, foi aprender a não ligar, a viver sem precisar de amigos, a me bastar.
Sinto que, mesmo depois de passada a fase brava, nunca mais consegui incluir realmente as amizades na minha vida. Elas existem, eu adoro de paixão meus amigos, mas eles ocupam um lugar marginal na minha rotina. Isso é uma coisa que eu acho, de certa forma, triste (mas só quando paro pra pensar. Do contrário, nem percebo que isso acontece).
Aos dez anos, quando eu estava na 4ª série, quase que tudo passou a ser diferente. Por pouco. Eu me espantei de mudar de classe e tanta gente passar a me achar uma pessoa legal. Fui incluída, convidada, considerada, enturmada. Até hoje acho que aquele foi o ano mais feliz da minha vida (até pelo contraste com os anteriores).
Foi nesse ano que a escola fechou e, com ela, fechou-se também minha janela de oportunidade. As pessoas se espalharam por muitos colégios e eu, bem, não senti imediatamente o quanto tinha me ressentido.
Creio que foi desse momento como em diante que eu eu coloquei definitivamente minhas metas (meus escudos) acima dos meus sentimentos. A partir daí fiz muitas escolhas sem me dar ouvidos de fato. O que me levou pra longe de mim mesma muitas (e importantes) vezes.
Hoje me tenho mais perto. Porém com as idiossincrasias que carrego dessas andanças. Com muitas coisas ainda por equilibrar.
O Gávea é uma escola que guardo com muito carinho dentro do meu coração. Reencontrei sua antiga dona numa viagem recente a Petrópolis e entendi melhor porque a escola era do jeito que era: crianças passando o recreio na sala da diretora (explorando jogos e outras coisas interessantes), aula de ouvir histórias e de cantas música dos titãs (dentro da própria grade curricular), meu poeminha sobre a Amazônia virando ficha de estudos de todos os alunos da 4ª série... Como escola, era um sonho (algo que um dia eu quero proporcionar pros meus filhos). Mas também foi palco de muitos momentos difíceis na minha vida.
Por um azar incrível, as duas pessoas que eu costumava chamar de amigas no início da minha vida eram tudo, menos amigas. Hoje sei que existe nome para o que eu vivia: bullying. Não recomendo.
Minha reação ao ser colocada continuamente "de gelo" (situação em que a regra é as pessoas agirem como se você não existisse), orientada pela voz experiente da minha mãe, foi aprender a não ligar, a viver sem precisar de amigos, a me bastar.
Sinto que, mesmo depois de passada a fase brava, nunca mais consegui incluir realmente as amizades na minha vida. Elas existem, eu adoro de paixão meus amigos, mas eles ocupam um lugar marginal na minha rotina. Isso é uma coisa que eu acho, de certa forma, triste (mas só quando paro pra pensar. Do contrário, nem percebo que isso acontece).
Aos dez anos, quando eu estava na 4ª série, quase que tudo passou a ser diferente. Por pouco. Eu me espantei de mudar de classe e tanta gente passar a me achar uma pessoa legal. Fui incluída, convidada, considerada, enturmada. Até hoje acho que aquele foi o ano mais feliz da minha vida (até pelo contraste com os anteriores).
Foi nesse ano que a escola fechou e, com ela, fechou-se também minha janela de oportunidade. As pessoas se espalharam por muitos colégios e eu, bem, não senti imediatamente o quanto tinha me ressentido.
Creio que foi desse momento como em diante que eu eu coloquei definitivamente minhas metas (meus escudos) acima dos meus sentimentos. A partir daí fiz muitas escolhas sem me dar ouvidos de fato. O que me levou pra longe de mim mesma muitas (e importantes) vezes.
Hoje me tenho mais perto. Porém com as idiossincrasias que carrego dessas andanças. Com muitas coisas ainda por equilibrar.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Construção
Minha casa foi construída com recursos do BNH (Banco Nacional da Habitação).
Antes, no terreno de 250m², comprado com a ajuda do meu avô, existia uma casa de pau a pique minúscula, cheia de buracos nas paredes.
Brinquei com meu irmão durante as várias fases de construção da casa: equilibrista na fase das fundações, Indiana Jones na fase do tijolo à vista, esconde-esconde na fase de acabamento.
O primeiro aniversário comemorado na nova casa foi o meu, aos 4 anos, ainda pisando no contrapiso. Alguns meses depois veio o inverno e, com ele, os carpetes.
Nosso quintal já sofreu muitas transformações. Houve um tempo em que tínhamos uma verdadeira fazenda em miniatura no fundo de casa: abacateiro, goiabeira, pessegueiro, pé de mixirica, limoeiro, milho, fruta do conde, canteiros com cenoura, alface, beterrada, além das ervas - salsinha, cebolinha, hortelã, alecrim, arruda, manjerição, novalgina, alfazema... - e das criação de galinhas, codornas e patos. Tínhamos também um cachorro, duas tartarugas, dois periquitos e três ramsters. Foi nessa época que a escolhinha do meu irmão promoveu uma excursão dos alunos do jardim II para a minha casa.
Também tivemos um parquinho com balaço, escorregador, gangorra e caixa de areia no fundo do quintal. Na parte cimentada, eu e meu irmão desenhávamos ruas e cruzamentos para andar de bicicleta em alta velocidade. Jogávamos vôlei, futebol, basquete...
Estou lembrando agora de mais uma invenção do meu pai: uma forma de prender o cachorro de forma que pudesse correr de um lado para o outro. A corrente do cachorro não era presa num ponto fixo. Ela corria ao longo de um fio de arame bem grosso fixado no chão, rente ao muro, de fora a fora. Era gostoso ouvir aquele barulho e saber que o Sansão estava por ali...
Durante a década de 80, no período de crise mais grave, muita gente não conseguiu pagar as prestações do financiamento e quase perdeu a casa. A gente estava nessa lista.
Graças a um erro do governo da época na proposição de um acordo, aliado à agilidade dos meus pais e à valiosa orientação de uma amiga da família que trabalhava na Caixa Econômica Federal, conseguimos dar entrada na papelada no único dia em que a possibilidade desse acordo vigorou. Voltamos a pagar as prestações e, alguns anos depois, quitamos a dívida.
Minha avó - que mora hoje numa casa construída no fundo do quintal que abriga tantas memórias (aproveito para desafiar meus leitores a adivinharem quem projetou essa casa tão bem resolvida em termos de aproveitamento de espaço, iluminação e ventilação) - afirma que foi um ritual de despedida para os antigos moradores daquele terreno, envolvendo xaxim e queimas, que abriu os caminhos para a consolidação dessa conquista.
Quem sou eu pra duvidar? Agradeço profundamente, a todos os viventes e não viventes, pela graça alcançada.
Antes, no terreno de 250m², comprado com a ajuda do meu avô, existia uma casa de pau a pique minúscula, cheia de buracos nas paredes.
Brinquei com meu irmão durante as várias fases de construção da casa: equilibrista na fase das fundações, Indiana Jones na fase do tijolo à vista, esconde-esconde na fase de acabamento.
O primeiro aniversário comemorado na nova casa foi o meu, aos 4 anos, ainda pisando no contrapiso. Alguns meses depois veio o inverno e, com ele, os carpetes.
Nosso quintal já sofreu muitas transformações. Houve um tempo em que tínhamos uma verdadeira fazenda em miniatura no fundo de casa: abacateiro, goiabeira, pessegueiro, pé de mixirica, limoeiro, milho, fruta do conde, canteiros com cenoura, alface, beterrada, além das ervas - salsinha, cebolinha, hortelã, alecrim, arruda, manjerição, novalgina, alfazema... - e das criação de galinhas, codornas e patos. Tínhamos também um cachorro, duas tartarugas, dois periquitos e três ramsters. Foi nessa época que a escolhinha do meu irmão promoveu uma excursão dos alunos do jardim II para a minha casa.
Também tivemos um parquinho com balaço, escorregador, gangorra e caixa de areia no fundo do quintal. Na parte cimentada, eu e meu irmão desenhávamos ruas e cruzamentos para andar de bicicleta em alta velocidade. Jogávamos vôlei, futebol, basquete...
Estou lembrando agora de mais uma invenção do meu pai: uma forma de prender o cachorro de forma que pudesse correr de um lado para o outro. A corrente do cachorro não era presa num ponto fixo. Ela corria ao longo de um fio de arame bem grosso fixado no chão, rente ao muro, de fora a fora. Era gostoso ouvir aquele barulho e saber que o Sansão estava por ali...
Durante a década de 80, no período de crise mais grave, muita gente não conseguiu pagar as prestações do financiamento e quase perdeu a casa. A gente estava nessa lista.
Graças a um erro do governo da época na proposição de um acordo, aliado à agilidade dos meus pais e à valiosa orientação de uma amiga da família que trabalhava na Caixa Econômica Federal, conseguimos dar entrada na papelada no único dia em que a possibilidade desse acordo vigorou. Voltamos a pagar as prestações e, alguns anos depois, quitamos a dívida.
Minha avó - que mora hoje numa casa construída no fundo do quintal que abriga tantas memórias (aproveito para desafiar meus leitores a adivinharem quem projetou essa casa tão bem resolvida em termos de aproveitamento de espaço, iluminação e ventilação) - afirma que foi um ritual de despedida para os antigos moradores daquele terreno, envolvendo xaxim e queimas, que abriu os caminhos para a consolidação dessa conquista.
Quem sou eu pra duvidar? Agradeço profundamente, a todos os viventes e não viventes, pela graça alcançada.
domingo, 16 de novembro de 2008
Política e Democracia
A década de 80 foi muito importante para a democracia brasileira. Primeiro, aconteceu a passagem do poder dos militares para um presidente civil - que morreu em seguida. Depois, veio o bigodudo maranhense do Plano Cruzado. Depois aconteceu a eleição do caçador de marajás.
Dessas épocas me lembro de ver meus pais preocupadíssimos, acompanhando na TV o cortejo do caixão coberto com a bandeira, sem conseguir que alguém conseguisse me fazer entender o que estava acontecendo.
Depois me lembro de ver um montão de gente nas passeatas pelas "Diretas Já!" e meu pai falando que "a mamãe estava aparecendo na TV". Forcei muito a vista para enxergar, mas não vi nada.
Também me lembro da inflação galopante. Ela fazia com que meu pai ligasse pra minha mãe no dia em que recebia o pagamento e assim nos aprontávamos depressa para chegarmos ao supermercado o mais rápido possível.
Naquela época fazíamos uma compra enorme, pro mês inteiro, e tentávamos sempre pegar os pacotes da direita do etiquetador (antes que ele conseguisse terminar de remarcar os preços). Foi nessa época que compramos o freezer, pra poder estocar carnes por mais tempo.
Nas eleições de 89, fui ao meu primeiro comício - o mais lindo do mundo. Muita, muita gente no Anhangabaú cantando "é a gente junto, valeu a espera, sem medo de ser feliz". A gente realmente pensou que fosse daquela vez. Mas o Jornal Nacional editou o último debate e mudou os rumos da eleição.
Acompanhei tudo isso e acreditei que a população tem mesmo algum poder de influenciar seu próprio futuro, de mostrar sua força nas ruas, ainda que nem sempre os objetivos sejam alcançados numa primeira vez.
Talvez essas experiências tenham contribuído muito para meu jeito de pensar o futuro e o país - contruído por todos, melhor para todos.
Dessas épocas me lembro de ver meus pais preocupadíssimos, acompanhando na TV o cortejo do caixão coberto com a bandeira, sem conseguir que alguém conseguisse me fazer entender o que estava acontecendo.
Depois me lembro de ver um montão de gente nas passeatas pelas "Diretas Já!" e meu pai falando que "a mamãe estava aparecendo na TV". Forcei muito a vista para enxergar, mas não vi nada.
Também me lembro da inflação galopante. Ela fazia com que meu pai ligasse pra minha mãe no dia em que recebia o pagamento e assim nos aprontávamos depressa para chegarmos ao supermercado o mais rápido possível.
Naquela época fazíamos uma compra enorme, pro mês inteiro, e tentávamos sempre pegar os pacotes da direita do etiquetador (antes que ele conseguisse terminar de remarcar os preços). Foi nessa época que compramos o freezer, pra poder estocar carnes por mais tempo.
Nas eleições de 89, fui ao meu primeiro comício - o mais lindo do mundo. Muita, muita gente no Anhangabaú cantando "é a gente junto, valeu a espera, sem medo de ser feliz". A gente realmente pensou que fosse daquela vez. Mas o Jornal Nacional editou o último debate e mudou os rumos da eleição.
Acompanhei tudo isso e acreditei que a população tem mesmo algum poder de influenciar seu próprio futuro, de mostrar sua força nas ruas, ainda que nem sempre os objetivos sejam alcançados numa primeira vez.
Talvez essas experiências tenham contribuído muito para meu jeito de pensar o futuro e o país - contruído por todos, melhor para todos.
sábado, 16 de agosto de 2008
Escancaradamente Ensolarada
Hoje o Rodrigo me mostrou um Podcast do Kris, que trazia entre suas últimas descobertas, uma música do grupo Facto Delafé. Também hoje descobri, escondida depois da última faixa do segundo disco da Maria Rita, "a paixão é como um Deus que quando quer me toma todo o pensamento".
Acho que hoje é um daqueles dias escancaradamente ensolarados em que me sinto além de feliz sem motivo, particularmente sensível para a arte (dias para se aproveitar!). Dias em que não deixo de pensar e teorizar - meu vício (talvez minha essência, quem sabe?) - mas essa atividade não me consome.
O Facto Delafé me fez pensar que eu poderia criar canções como as deles, bastaria começar sentindo o ritmo do sentimento que me acompanha no momento. Descoberto o ritmo, buscar as oscilações - tendências de aumento, de queda, as interruções abruptas ou o desenrolar suave provocado pelos sentimentos - e assim criar a melodia. Ritmo e melodia. Para definir o timbre, o instrumento perfeito, descobrir a textura do sentimento. Tudo muito simples...
A Maria Rita, por sua vez, me despertou o teorizar sobre a paixão - sobre seus ingredientes, sobre alguns pré-requisitos a serem cultivados, sobre a possibilidade ou não de se apaixonar repetidas vezes pela mesma pessoa.
Hoje é um desses dias em que eu acredito que tudo é possível.
Acho que hoje é um daqueles dias escancaradamente ensolarados em que me sinto além de feliz sem motivo, particularmente sensível para a arte (dias para se aproveitar!). Dias em que não deixo de pensar e teorizar - meu vício (talvez minha essência, quem sabe?) - mas essa atividade não me consome.
O Facto Delafé me fez pensar que eu poderia criar canções como as deles, bastaria começar sentindo o ritmo do sentimento que me acompanha no momento. Descoberto o ritmo, buscar as oscilações - tendências de aumento, de queda, as interruções abruptas ou o desenrolar suave provocado pelos sentimentos - e assim criar a melodia. Ritmo e melodia. Para definir o timbre, o instrumento perfeito, descobrir a textura do sentimento. Tudo muito simples...
A Maria Rita, por sua vez, me despertou o teorizar sobre a paixão - sobre seus ingredientes, sobre alguns pré-requisitos a serem cultivados, sobre a possibilidade ou não de se apaixonar repetidas vezes pela mesma pessoa.
Hoje é um desses dias em que eu acredito que tudo é possível.
sábado, 2 de agosto de 2008
Te encontro no infinito?
Momento de desafio para a manuntenção, imediatamente anterior a um ponto de possível inflexão.
Mudança de Presidência e de Conselho. Ano político e, portanto, de possíveis descontinuidades. Urgência de novos modelos que dêem suporte aos vigentes. Grandes decisões e grandes oportunidades à vista, inclusive pessoais-profissionais.
Paralelamente a isso, a vida indo concluir mais uma década de seus respectivos balanços.
Ser ou não ser? Eis a questão.
Mudança de Presidência e de Conselho. Ano político e, portanto, de possíveis descontinuidades. Urgência de novos modelos que dêem suporte aos vigentes. Grandes decisões e grandes oportunidades à vista, inclusive pessoais-profissionais.
Paralelamente a isso, a vida indo concluir mais uma década de seus respectivos balanços.
Ser ou não ser? Eis a questão.
sábado, 21 de junho de 2008
Meu pai e meu papel
Recomendo um pai que te convide a se perder, quando pequena,
e te ajude a se encontrar, quando grande.
"Seu papel não é impedir que problemas aconteçam. Especialmente em se tratando da área em que você trabalha - isso é definitivamente impossível. Seu papel é mitigar problemas, ou seja, reduzir-lhes os impactos, quando acontecerem."
Isso eu venho fazendo. Pode se (e posso me) orgulhar de mim. Que bom que estou de volta.
e te ajude a se encontrar, quando grande.
"Seu papel não é impedir que problemas aconteçam. Especialmente em se tratando da área em que você trabalha - isso é definitivamente impossível. Seu papel é mitigar problemas, ou seja, reduzir-lhes os impactos, quando acontecerem."
Isso eu venho fazendo. Pode se (e posso me) orgulhar de mim. Que bom que estou de volta.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Equilibrista
Novos ciclos. Coisas grandes. Muito aprendizado. E dá-lhe pratos chineses pra gente manter rodando...
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