Foram tantas preciosidades este ano e tão pouco tempo para escrever que já me vejo fazendo uma nova retrospectiva, ao estilo daquela das décadas.
Já-já as férias chegam. Aguardem!
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domingo, 7 de novembro de 2010
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Síntese
Meu 2009 foi um ano de descobertas gigantes a respeito de coisas pequenas.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
Uma carta para o passado
Ontem transformei o que pra mim é uma tarefa bastante dificil em redenção.
Encarando o e-mail que enviaria para os candidatos não escolhidos no processo seletivo, pensei nas vezes em que eu mesma recebi e-mails parecidos. Pensei no que gostaria de ter sabido sobre processos seletivos naquela época. Pensei nas conclusões equivocadas que tirei (e que foram um grande atraso de vida).
O resultado desse revival foi que escrevi o texto abaixo.
-----------------------------
Prezado candidato,
Concluimos a primeira fase da seleção de estagiários para a vaga de auxiliar de classes de reforço, da qual você participou.
O Instituto buscava, nessa primeira fase:
1) a paixão por ensinar;
2) a correta compreensão e opção pelo método sócio-construtivista de ensino e aprendizagem;
3) a crença de que todo ser humano é capaz de aprender.
Por algum motivo, na entrevista da qual você participou, não pudemos identificar um ou mais desses aspectos.
Cada instituição busca perfis de profissionais que combinem mais com suas crenças e formas de entender o mundo. Nosso desejo é que você, sem abandonar aquilo que acredita e traçando seu caminho com coerência, possa encontrar seu espaço no mercado de trabalho, num local que, por compartilhar das mesmas concepções, possa aproveitar todo o potencial que você vem desenvolvendo com base nas suas escolhas.
É possível também que você traga consigo, apesar de não ter demonstrado com clareza, aquilo que procurávamos. Nesse caso, nosso desejo é de que, numa próxima oportunidade, esses aspectos estejam mais fortalecidos e que possamos vir a realizar, lado a lado, a missão de contribuir para a melhoria da educação no Brasil.
Um grande abraço e nossos sinceros agradecimentos pela sua participação.
-----------------------------
Não sei se muda alguma coisa o "não" vir assim ou de outra forma. Também não sei se existe atenção ou alma suficientes numa hora como essa para se ler um e-mail desses "com bons olhos".
Mas eu gostei.
Sinceramente? Quem duvida que o principal destinatário desse e-mail tenha sido, desde o princípio, eu mesma?
Encarando o e-mail que enviaria para os candidatos não escolhidos no processo seletivo, pensei nas vezes em que eu mesma recebi e-mails parecidos. Pensei no que gostaria de ter sabido sobre processos seletivos naquela época. Pensei nas conclusões equivocadas que tirei (e que foram um grande atraso de vida).
O resultado desse revival foi que escrevi o texto abaixo.
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Prezado candidato,
Concluimos a primeira fase da seleção de estagiários para a vaga de auxiliar de classes de reforço, da qual você participou.
O Instituto buscava, nessa primeira fase:
1) a paixão por ensinar;
2) a correta compreensão e opção pelo método sócio-construtivista de ensino e aprendizagem;
3) a crença de que todo ser humano é capaz de aprender.
Por algum motivo, na entrevista da qual você participou, não pudemos identificar um ou mais desses aspectos.
Cada instituição busca perfis de profissionais que combinem mais com suas crenças e formas de entender o mundo. Nosso desejo é que você, sem abandonar aquilo que acredita e traçando seu caminho com coerência, possa encontrar seu espaço no mercado de trabalho, num local que, por compartilhar das mesmas concepções, possa aproveitar todo o potencial que você vem desenvolvendo com base nas suas escolhas.
É possível também que você traga consigo, apesar de não ter demonstrado com clareza, aquilo que procurávamos. Nesse caso, nosso desejo é de que, numa próxima oportunidade, esses aspectos estejam mais fortalecidos e que possamos vir a realizar, lado a lado, a missão de contribuir para a melhoria da educação no Brasil.
Um grande abraço e nossos sinceros agradecimentos pela sua participação.
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Não sei se muda alguma coisa o "não" vir assim ou de outra forma. Também não sei se existe atenção ou alma suficientes numa hora como essa para se ler um e-mail desses "com bons olhos".
Mas eu gostei.
Sinceramente? Quem duvida que o principal destinatário desse e-mail tenha sido, desde o princípio, eu mesma?
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domingo, 28 de dezembro de 2008
Para viver um grande amor
Os anos 90 foram os anos em que Barrados no Baile embalava os sonhos dos jovens de viverem um grande amor e uma grande adolescência.
Dos meus amores, não posso reclamar. Foram muitos, bastante diversos e mobilizaram em mim várias coisas bacanas. Esse post, ainda que talvez excessivamente sintético, é um tributo à participação de cada um deles (pelo menos dos mais importantes) na minha vida.
- Do namorado modelo, agradeço o despertar.
- Do namorado 10 anos mais velho, agradeço primeiramente a paixão. Agradeço igualmente a clareza e a honestidade infinitas.
- Do namorado ultimoanista, agradeço a proteção e a oportunidade de me ver cantora por um dia.
- Do namorado amigo-de-infância, agradeço aquelas férias.
- Do namorado poeta, agradeço a intensidade e os poemas publicados.
- Do namorado bucólico, agradeço a leveza e a liberdade que conquistei.
- Do namorado maluco-beleza, agradeço a energia e os sustos resultantes das frases de efeito.
- Do namorado comediante, agradeço as muitas risadas e todo o apoio.
- Do namorado aventureiro, agradeço os dias, as noites e os horizontes.
- Do namorado carioca, agradeço a recuperação, a boa forma e a lição.
- Do namorado GV-ista, agradeço a ajudinha e o CD.
- Do namorado literato, agradeço a minha própria ousadia e as infindáveis conversas.
Do namorado marido, o namorado definitivo, agradeço o bem-estar, o aconchego, o amor e a coragem para a tomada de grandes decisões.
Dos meus amores, não posso reclamar. Foram muitos, bastante diversos e mobilizaram em mim várias coisas bacanas. Esse post, ainda que talvez excessivamente sintético, é um tributo à participação de cada um deles (pelo menos dos mais importantes) na minha vida.
- Do namorado modelo, agradeço o despertar.
- Do namorado 10 anos mais velho, agradeço primeiramente a paixão. Agradeço igualmente a clareza e a honestidade infinitas.
- Do namorado ultimoanista, agradeço a proteção e a oportunidade de me ver cantora por um dia.
- Do namorado amigo-de-infância, agradeço aquelas férias.
- Do namorado poeta, agradeço a intensidade e os poemas publicados.
- Do namorado bucólico, agradeço a leveza e a liberdade que conquistei.
- Do namorado maluco-beleza, agradeço a energia e os sustos resultantes das frases de efeito.
- Do namorado comediante, agradeço as muitas risadas e todo o apoio.
- Do namorado aventureiro, agradeço os dias, as noites e os horizontes.
- Do namorado carioca, agradeço a recuperação, a boa forma e a lição.
- Do namorado GV-ista, agradeço a ajudinha e o CD.
- Do namorado literato, agradeço a minha própria ousadia e as infindáveis conversas.
Do namorado marido, o namorado definitivo, agradeço o bem-estar, o aconchego, o amor e a coragem para a tomada de grandes decisões.
domingo, 23 de novembro de 2008
Primeiro amor
Nos anos 80 eu tive um amor de infância.
Daqueles que ele gosta de você quando você não gosta dele e no momento seguinte invertem-se os papéis. O nome dele era Rodrigo Mateus de Souza Campos, meu melhor amigo.
A "revelação" aconteceu num dia na 2ª série em que a professora perguntou se ele casaria com ela, quando crescesse. O Rodrigo tinha um tipo físico assim, de um futuro Raí, sabe? A professora não era boba nem nada. Mas a resposta do garoto foi não, porque "gostava de outra pessoa". Todos ficaram muito curiosos e atentos a partir daí. Até todo mundo perceber que não tinha pra ninguém. Era de mim mesmo que ele gostava.
Eu imaginava, toda vez que escutava "Quase sem querer", do Legião Urbana (e não era pouco), que era ele quem cantava a música pra mim. Durante o acantonamento, conheci a "Olhar 43", do RPM, e foi nele que pensei enquanto entendia só metade da letra.
Conversar com o Rodrigo foi importante quando meu pai viajou para o Japão. O pai dele também tinha ficado um tempinho no exterior e ele me garantiu que, apesar da saudade, o tempo passava rápido.
Também tenho certeza que ele votou em mim naquela pesquisa feita pelos jornaizinhos da 4ª série, na seção "a menina mais legal na opinião dos meninos". Ganhei com boa margem aquela pesquisa. Pena que, por algum motivo que hoje eu não consigo precisar, não achava viável passar o recreio com os meninos (isso teria me poupado um pouco do sofrimento relatado anteriormente).
Respirei aliviada quando, na festa mais legal de todos os tempos (à qual eu não fui), aconteceram muitos primeiros beijos, mas nenhum com ele.
A história, como qualquer história de amor infantil que se preze, não teve muitos desdobramentos.
Depois que a escola fechou, ele foi para o Ítaca, eu para o Galileu. Ainda o vi saindo pelo portão uma vez, quando passava de carro, voltando pra casa.
Encontrei o Rodrigo depois de muito tempo, quando fui prestar vestibular na ESPM (eu publicidade, ele administração). Nada parecido com o Raí. Depois soube que ele foi pra Ribeirão Preto. Isso é tudo.
Algumas pessoas nunca vão saber a importância que tiveram na curta vida de outras.
A não ser que, inadvertidamente, um dia digitem seu próprio nome no Google e caiam no blog de alguém que fez uma retrospectiva dos anos 80, quase vinte anos depois.
Daqueles que ele gosta de você quando você não gosta dele e no momento seguinte invertem-se os papéis. O nome dele era Rodrigo Mateus de Souza Campos, meu melhor amigo.
A "revelação" aconteceu num dia na 2ª série em que a professora perguntou se ele casaria com ela, quando crescesse. O Rodrigo tinha um tipo físico assim, de um futuro Raí, sabe? A professora não era boba nem nada. Mas a resposta do garoto foi não, porque "gostava de outra pessoa". Todos ficaram muito curiosos e atentos a partir daí. Até todo mundo perceber que não tinha pra ninguém. Era de mim mesmo que ele gostava.
Eu imaginava, toda vez que escutava "Quase sem querer", do Legião Urbana (e não era pouco), que era ele quem cantava a música pra mim. Durante o acantonamento, conheci a "Olhar 43", do RPM, e foi nele que pensei enquanto entendia só metade da letra.
Conversar com o Rodrigo foi importante quando meu pai viajou para o Japão. O pai dele também tinha ficado um tempinho no exterior e ele me garantiu que, apesar da saudade, o tempo passava rápido.
Também tenho certeza que ele votou em mim naquela pesquisa feita pelos jornaizinhos da 4ª série, na seção "a menina mais legal na opinião dos meninos". Ganhei com boa margem aquela pesquisa. Pena que, por algum motivo que hoje eu não consigo precisar, não achava viável passar o recreio com os meninos (isso teria me poupado um pouco do sofrimento relatado anteriormente).
Respirei aliviada quando, na festa mais legal de todos os tempos (à qual eu não fui), aconteceram muitos primeiros beijos, mas nenhum com ele.
A história, como qualquer história de amor infantil que se preze, não teve muitos desdobramentos.
Depois que a escola fechou, ele foi para o Ítaca, eu para o Galileu. Ainda o vi saindo pelo portão uma vez, quando passava de carro, voltando pra casa.
Encontrei o Rodrigo depois de muito tempo, quando fui prestar vestibular na ESPM (eu publicidade, ele administração). Nada parecido com o Raí. Depois soube que ele foi pra Ribeirão Preto. Isso é tudo.
Algumas pessoas nunca vão saber a importância que tiveram na curta vida de outras.
A não ser que, inadvertidamente, um dia digitem seu próprio nome no Google e caiam no blog de alguém que fez uma retrospectiva dos anos 80, quase vinte anos depois.
sábado, 22 de novembro de 2008
Moda e música
Os anos 80 foram anos muito divertidos.
Década das músicas mais saltitantes, das maiores irreverências, das roupas mais ridículas. Anos em que realmente não merecíamos ser levados a sério.
Usei minisaia por cima de calça, jeans semibaggy, macacão cintura alta, camisa branca com ombreira, brinco de plástico de pressão em formato de triangulo, brilhos, fosforecências... Recentemente aproveitei uns Skol Beats para fazer um revival de parte dessa liberdade anti-estética!
Ganhei uma boneca da Porcina, uma moça que trabalhou lá em casa, que era a cara dos anos 80. Roupa de ir para a balada: cabelo de lã espetado pra todos os lados, roupinha listada de prateado com preto - por cima de uma calça de ginástica - e faixa na cabeça. Fiquei bem triste quando meu pai mandou a Porcina embora porque ela saia à noite e no outro dia não conseguia acordar. Nada mais anos 80.
Naqueles anos gente da minha idade ia pros bailinhos (ou brincadeiras dançantes, para quem morava no interior). Tempo de grandes emoções, taquicardias, palpitações, quando alguém te tirava para dançar uma música lenta (muuuuuuuuuuuuito raro!). Pegar na mão era prova de amor eterno.
No playlist não podia faltar "Dancing with myself", "Karma Chameleon", "Take me to the Church on time", "You spin me round (like a record)", "Just can´t get enough", no melhor estilo "estou no mundo a passeio".
Que a irreverência dos anos 80 nos acompanhe a todos...
Década das músicas mais saltitantes, das maiores irreverências, das roupas mais ridículas. Anos em que realmente não merecíamos ser levados a sério.
Usei minisaia por cima de calça, jeans semibaggy, macacão cintura alta, camisa branca com ombreira, brinco de plástico de pressão em formato de triangulo, brilhos, fosforecências... Recentemente aproveitei uns Skol Beats para fazer um revival de parte dessa liberdade anti-estética!
Ganhei uma boneca da Porcina, uma moça que trabalhou lá em casa, que era a cara dos anos 80. Roupa de ir para a balada: cabelo de lã espetado pra todos os lados, roupinha listada de prateado com preto - por cima de uma calça de ginástica - e faixa na cabeça. Fiquei bem triste quando meu pai mandou a Porcina embora porque ela saia à noite e no outro dia não conseguia acordar. Nada mais anos 80.
Naqueles anos gente da minha idade ia pros bailinhos (ou brincadeiras dançantes, para quem morava no interior). Tempo de grandes emoções, taquicardias, palpitações, quando alguém te tirava para dançar uma música lenta (muuuuuuuuuuuuito raro!). Pegar na mão era prova de amor eterno.
No playlist não podia faltar "Dancing with myself", "Karma Chameleon", "Take me to the Church on time", "You spin me round (like a record)", "Just can´t get enough", no melhor estilo "estou no mundo a passeio".
Que a irreverência dos anos 80 nos acompanhe a todos...
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Amizades
Nos anos 80, o Colégio Gávea existia.
O Gávea é uma escola que guardo com muito carinho dentro do meu coração. Reencontrei sua antiga dona numa viagem recente a Petrópolis e entendi melhor porque a escola era do jeito que era: crianças passando o recreio na sala da diretora (explorando jogos e outras coisas interessantes), aula de ouvir histórias e de cantas música dos titãs (dentro da própria grade curricular), meu poeminha sobre a Amazônia virando ficha de estudos de todos os alunos da 4ª série... Como escola, era um sonho (algo que um dia eu quero proporcionar pros meus filhos). Mas também foi palco de muitos momentos difíceis na minha vida.
Por um azar incrível, as duas pessoas que eu costumava chamar de amigas no início da minha vida eram tudo, menos amigas. Hoje sei que existe nome para o que eu vivia: bullying. Não recomendo.
Minha reação ao ser colocada continuamente "de gelo" (situação em que a regra é as pessoas agirem como se você não existisse), orientada pela voz experiente da minha mãe, foi aprender a não ligar, a viver sem precisar de amigos, a me bastar.
Sinto que, mesmo depois de passada a fase brava, nunca mais consegui incluir realmente as amizades na minha vida. Elas existem, eu adoro de paixão meus amigos, mas eles ocupam um lugar marginal na minha rotina. Isso é uma coisa que eu acho, de certa forma, triste (mas só quando paro pra pensar. Do contrário, nem percebo que isso acontece).
Aos dez anos, quando eu estava na 4ª série, quase que tudo passou a ser diferente. Por pouco. Eu me espantei de mudar de classe e tanta gente passar a me achar uma pessoa legal. Fui incluída, convidada, considerada, enturmada. Até hoje acho que aquele foi o ano mais feliz da minha vida (até pelo contraste com os anteriores).
Foi nesse ano que a escola fechou e, com ela, fechou-se também minha janela de oportunidade. As pessoas se espalharam por muitos colégios e eu, bem, não senti imediatamente o quanto tinha me ressentido.
Creio que foi desse momento como em diante que eu eu coloquei definitivamente minhas metas (meus escudos) acima dos meus sentimentos. A partir daí fiz muitas escolhas sem me dar ouvidos de fato. O que me levou pra longe de mim mesma muitas (e importantes) vezes.
Hoje me tenho mais perto. Porém com as idiossincrasias que carrego dessas andanças. Com muitas coisas ainda por equilibrar.
O Gávea é uma escola que guardo com muito carinho dentro do meu coração. Reencontrei sua antiga dona numa viagem recente a Petrópolis e entendi melhor porque a escola era do jeito que era: crianças passando o recreio na sala da diretora (explorando jogos e outras coisas interessantes), aula de ouvir histórias e de cantas música dos titãs (dentro da própria grade curricular), meu poeminha sobre a Amazônia virando ficha de estudos de todos os alunos da 4ª série... Como escola, era um sonho (algo que um dia eu quero proporcionar pros meus filhos). Mas também foi palco de muitos momentos difíceis na minha vida.
Por um azar incrível, as duas pessoas que eu costumava chamar de amigas no início da minha vida eram tudo, menos amigas. Hoje sei que existe nome para o que eu vivia: bullying. Não recomendo.
Minha reação ao ser colocada continuamente "de gelo" (situação em que a regra é as pessoas agirem como se você não existisse), orientada pela voz experiente da minha mãe, foi aprender a não ligar, a viver sem precisar de amigos, a me bastar.
Sinto que, mesmo depois de passada a fase brava, nunca mais consegui incluir realmente as amizades na minha vida. Elas existem, eu adoro de paixão meus amigos, mas eles ocupam um lugar marginal na minha rotina. Isso é uma coisa que eu acho, de certa forma, triste (mas só quando paro pra pensar. Do contrário, nem percebo que isso acontece).
Aos dez anos, quando eu estava na 4ª série, quase que tudo passou a ser diferente. Por pouco. Eu me espantei de mudar de classe e tanta gente passar a me achar uma pessoa legal. Fui incluída, convidada, considerada, enturmada. Até hoje acho que aquele foi o ano mais feliz da minha vida (até pelo contraste com os anteriores).
Foi nesse ano que a escola fechou e, com ela, fechou-se também minha janela de oportunidade. As pessoas se espalharam por muitos colégios e eu, bem, não senti imediatamente o quanto tinha me ressentido.
Creio que foi desse momento como em diante que eu eu coloquei definitivamente minhas metas (meus escudos) acima dos meus sentimentos. A partir daí fiz muitas escolhas sem me dar ouvidos de fato. O que me levou pra longe de mim mesma muitas (e importantes) vezes.
Hoje me tenho mais perto. Porém com as idiossincrasias que carrego dessas andanças. Com muitas coisas ainda por equilibrar.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Videocassete
Na década de 80 os videocassetes chegaram às casas das pessoas.
Apesar de não termos dinheiro para comprar nem Danoninho, um belo dia meus pais chegaram contentíssimos em casa.
Pareciam duas crianças. Subiram correndo as escadas. Enquanto meu pai instalava aquele trambolhão preto na TV, minha mãe segurava ansiosa as 5 fitas que alugou na primeira locadora inaugurada no bairro. Depois percebemos a importância de ela ter sido uma das clientes mais antigas, mais assíduas e com o maior tíquete médio daquele lugar: isso foi determinante para a criação do único acervo dos chamados filmes de arte num raio de 15 km.
Uma vez, eu peguei 5 filmes no início das férias - que terminaram sem que eu os tivesse devolvido. Foi uma crise de grandes proporções lá em casa. Para compensar o prejuízo, combinamos que eu ficaria 6 meses sem passar nem perto da locadora.
Resultado: fiz a carterinha na biblioteca e comecei a ler muitos livros das coleções Vagalume, Tramas e Transas, Encontros e Desencontros, Para Gostar de Ler, ... Além deles terem me ajudado a viver muitas aventuras, me deram um importante argumento para tentar reduzir a minha pena: aos 3 meses de uso semanal da biblioteca, não tinha atrasado em 1 dia sequer a devolução dos livros.
Chamei meu pai para uma reunião e ele não resistiu ao "poder dos meus argumentos". Foi assim que pude voltar a alugar minhas fitas.
Acredito que alguns filmes que vi naquele videocassete fizeram parte da minha constituição pessoal: "Thelma & Louise" me fez valorizar a coragem feminina; "A Insustentável Leveza do Ser" me sensibilizou para as noções de público e privado, liberdade e cerceamento; "Retratos da Vida" contribuiu para fortalecer minha aversão à guerra; "Shirley Valentine", bem, esse eu só fui entender muito tempo depois...
Gosto de narrativas. De contextos, de evoluções, de clímax, de transformações, de gente em construção.
E também gosto de finais felizes.
Apesar de não termos dinheiro para comprar nem Danoninho, um belo dia meus pais chegaram contentíssimos em casa.
Pareciam duas crianças. Subiram correndo as escadas. Enquanto meu pai instalava aquele trambolhão preto na TV, minha mãe segurava ansiosa as 5 fitas que alugou na primeira locadora inaugurada no bairro. Depois percebemos a importância de ela ter sido uma das clientes mais antigas, mais assíduas e com o maior tíquete médio daquele lugar: isso foi determinante para a criação do único acervo dos chamados filmes de arte num raio de 15 km.
Uma vez, eu peguei 5 filmes no início das férias - que terminaram sem que eu os tivesse devolvido. Foi uma crise de grandes proporções lá em casa. Para compensar o prejuízo, combinamos que eu ficaria 6 meses sem passar nem perto da locadora.
Resultado: fiz a carterinha na biblioteca e comecei a ler muitos livros das coleções Vagalume, Tramas e Transas, Encontros e Desencontros, Para Gostar de Ler, ... Além deles terem me ajudado a viver muitas aventuras, me deram um importante argumento para tentar reduzir a minha pena: aos 3 meses de uso semanal da biblioteca, não tinha atrasado em 1 dia sequer a devolução dos livros.
Chamei meu pai para uma reunião e ele não resistiu ao "poder dos meus argumentos". Foi assim que pude voltar a alugar minhas fitas.
Acredito que alguns filmes que vi naquele videocassete fizeram parte da minha constituição pessoal: "Thelma & Louise" me fez valorizar a coragem feminina; "A Insustentável Leveza do Ser" me sensibilizou para as noções de público e privado, liberdade e cerceamento; "Retratos da Vida" contribuiu para fortalecer minha aversão à guerra; "Shirley Valentine", bem, esse eu só fui entender muito tempo depois...
Gosto de narrativas. De contextos, de evoluções, de clímax, de transformações, de gente em construção.
E também gosto de finais felizes.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
TK85
Segundo a amiga Wikipedia, na década de 80 os computadores se popularizaram. Eu estava lá e vi isso acontecendo desde o começo.
Meu pai é pesquisador do IPT desde que nasceu e, portanto, sempre teve acesso antes ao que estaria por vir. Foi assim que, quando eu tinha uns 3 anos, ele chegou com um TK85 em casa.
Era um computadorzinho que tinha 64 kilobytes (KILO-bytes!) de RAM. Tinha um componente com um interpretador de Basic e os programas ele lia de um... gravador a pilha! Sim, desses que liam fitas cassete (e que a gente utilizava canetas Bic para rebobinar - para não gastar as pilhas que não eram nem alcalinas, nem recarregáveis). Ouvir aquelas fitas era como ouvir a tela das "formigas" que passavam na TV quando estas saiam do ar. E eu me perguntava como era possível que aquele joguinho tão legal do labirinto pudesse estar escrito naquele barulhão.
Também tinha o Atari. Ao invés de comprarmos os cartuchos dos jogos, meu pai copiava o programa em circuitos integrados virgens (!). Era só tirar o componente do encaixe e substituir por outro. A tecnologia da minha casa avançou quando ele implementou uma alavanca para fixar e liberar o CI com mais facilidade. Genial, esse meu pai.
Depois veio o Apple, medindo pouco menos de 1 metro quadrado de área, a partir de uma vista aérea. Nele havia um jogo que tentava adivinhar o animal que você tinha pensado. Se não acertasse, te fazia uma pergunta e aprendia o novo animal para acertar da próxima vez. Muito esperto esse programa. Mas muito ingênuo também (a gente contava um monte de mentiras e ele fazia papel de bobo de vez em quando).
Essas são as memórias digitais da primeira década da minha vida. Muito tempo depois agreguei na minha vida a robótica, a eletrônica, a pneumática e vai, vai, vai... até uma feira de nanotecnologia que visitei ontem - e que merece um post exclusivo, depois que essa missão de retrospectiva acabar.
O fato é que acho tecnologia um grande barato!
Meu pai é pesquisador do IPT desde que nasceu e, portanto, sempre teve acesso antes ao que estaria por vir. Foi assim que, quando eu tinha uns 3 anos, ele chegou com um TK85 em casa.
Era um computadorzinho que tinha 64 kilobytes (KILO-bytes!) de RAM. Tinha um componente com um interpretador de Basic e os programas ele lia de um... gravador a pilha! Sim, desses que liam fitas cassete (e que a gente utilizava canetas Bic para rebobinar - para não gastar as pilhas que não eram nem alcalinas, nem recarregáveis). Ouvir aquelas fitas era como ouvir a tela das "formigas" que passavam na TV quando estas saiam do ar. E eu me perguntava como era possível que aquele joguinho tão legal do labirinto pudesse estar escrito naquele barulhão.
Também tinha o Atari. Ao invés de comprarmos os cartuchos dos jogos, meu pai copiava o programa em circuitos integrados virgens (!). Era só tirar o componente do encaixe e substituir por outro. A tecnologia da minha casa avançou quando ele implementou uma alavanca para fixar e liberar o CI com mais facilidade. Genial, esse meu pai.
Depois veio o Apple, medindo pouco menos de 1 metro quadrado de área, a partir de uma vista aérea. Nele havia um jogo que tentava adivinhar o animal que você tinha pensado. Se não acertasse, te fazia uma pergunta e aprendia o novo animal para acertar da próxima vez. Muito esperto esse programa. Mas muito ingênuo também (a gente contava um monte de mentiras e ele fazia papel de bobo de vez em quando).
Essas são as memórias digitais da primeira década da minha vida. Muito tempo depois agreguei na minha vida a robótica, a eletrônica, a pneumática e vai, vai, vai... até uma feira de nanotecnologia que visitei ontem - e que merece um post exclusivo, depois que essa missão de retrospectiva acabar.
O fato é que acho tecnologia um grande barato!
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Contagem regressiva
Hoje começa a contagem regressiva: 3 meses para meu aniversário de 30 anos. 1 mês para cada década. Pensei em fazer, a partir de agora, uma retrospectiva que relacione fatos históricos dos anos 80, 90 e 00 com a história da minha própria vida nesses períodos.
Vamos ver se vou ter perna pra isso...
Vamos ver se vou ter perna pra isso...
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