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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cuba

Também fui pra Cuba na década de 90.
Fidel ainda estava inteirão, tinha feito um discurso de 4 horas alguns dias antes de eu chegar.

As pessoas achavam engraçado alguém que fazia publicidade querer conhecer Cuba. Também achavam engraçado alguém que fazia publicidade se interessar por movimento estudantil. Às vezes é a primeira metade da frase que contém o erro.

Tirei fotos incríveis durante minha estada por lá. Me senti a própria Sebastiana Salgado. Em Havana, claro. Varadero é uma bobagem. Mas valeu pela cor do mar.

Cuba foi a primeira viagem que fiz convictamente sozinha. Encontrei um amigo antigo na fila do aeroporto, mas não saímos juntos por mais de dois dias.

E me senti em casa, em todos os momentos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Videocassete

Na década de 80 os videocassetes chegaram às casas das pessoas.

Apesar de não termos dinheiro para comprar nem Danoninho, um belo dia meus pais chegaram contentíssimos em casa.

Pareciam duas crianças. Subiram correndo as escadas. Enquanto meu pai instalava aquele trambolhão preto na TV, minha mãe segurava ansiosa as 5 fitas que alugou na primeira locadora inaugurada no bairro. Depois percebemos a importância de ela ter sido uma das clientes mais antigas, mais assíduas e com o maior tíquete médio daquele lugar: isso foi determinante para a criação do único acervo dos chamados filmes de arte num raio de 15 km.

Uma vez, eu peguei 5 filmes no início das férias - que terminaram sem que eu os tivesse devolvido. Foi uma crise de grandes proporções lá em casa. Para compensar o prejuízo, combinamos que eu ficaria 6 meses sem passar nem perto da locadora.

Resultado: fiz a carterinha na biblioteca e comecei a ler muitos livros das coleções Vagalume, Tramas e Transas, Encontros e Desencontros, Para Gostar de Ler, ... Além deles terem me ajudado a viver muitas aventuras, me deram um importante argumento para tentar reduzir a minha pena: aos 3 meses de uso semanal da biblioteca, não tinha atrasado em 1 dia sequer a devolução dos livros.

Chamei meu pai para uma reunião e ele não resistiu ao "poder dos meus argumentos". Foi assim que pude voltar a alugar minhas fitas.

Acredito que alguns filmes que vi naquele videocassete fizeram parte da minha constituição pessoal: "Thelma & Louise" me fez valorizar a coragem feminina; "A Insustentável Leveza do Ser" me sensibilizou para as noções de público e privado, liberdade e cerceamento; "Retratos da Vida" contribuiu para fortalecer minha aversão à guerra; "Shirley Valentine", bem, esse eu só fui entender muito tempo depois...

Gosto de narrativas. De contextos, de evoluções, de clímax, de transformações, de gente em construção.

E também gosto de finais felizes.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Fuerza Bruta

Pois dança contemporânea é isso: explorar os movimentos e limites do corpo e suas interações com outros corpos (vivos ou não) buscando um significado (uma expressão) ao invés de um padrão (uma perfeição).

Fuerza Bruta é um espetáculo estético, luminoso, engenhoso. Fala dessa loucura que é a vida, dos encontros e desencontros, da roda-viva que nos traz coisas e depois nos tira, das transformações, da perda da ingenuidade, da vontade de romper, da necessidade de arriscar. Significado forte (e bruto, como era pra ser).

Não virei tiete, entretanto. A engenharia do espetáculo é impecável, os efeitos deslumbrantes (com o mérito suplementar de contar apenas com engenhocas, água, vento e artigos de papelaria), mas algo me faltou.

Fiquei desejando um equilibrio maior do vídeoclipe com aquilo que é propriamente humano. Queria sentimento, reação, atuação. Queria que os atores fossem densos como o tema que se propuseram a abordar.

Ter tido uma excelente professora de dança contemporânea me fez mal em algum sentido.

Ah, e antes que eu me esqueça: ainda bem que os homens crescem e seus hormônios se regularizam. Adolescente homem é realmente um bichinho muito babaca...