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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ensaio sobre a razão

Sou ferrenha defensora da racionalidade (mesmo porque faz parte do instinto de sobrevivência as pessoas defenderem aquilo que predominantemente são).

Olhar a vida pelos olhos da razão faz com que a gente se localize melhor no mundo. Vamos paulatinamente entendendo melhor suas dinâmicas, as forças que nele atuam, seus elementos constituintes. Ficamos gradativamente menos ingênuos e menos reféns das situações (na hipótese, claro, de estar ao nosso alcance fazer algo a nosso favor).

Olhar pra si pelos olhos da razão nos faz mais senhores de nós mesmos. O livre-arbítrio, na minha opinião, joga no time da razão (se bem que, pensando melhor, pode haver controvérsias a esse respeito). Mas vá lá: os objetivos, os planos, a realizações, definitivamente não ocorrem por impulso ou acaso.

É claro que nem tudo são flores na vida de um racional inveterado. Especialmente quando ele é possuído pela obsessão/ilusão de pretender chegar ao grau máximo da evolução de sua espécie: a coerência. Se, além de coerente ele ainda quer ser lembrado como exemplo de bondade, ética ou sabedoria, aí danou-se.

Ia dizer que a pessoa racional aprende mais rápido, podendo mais rapidamente superar as ilusões, mas acho que isso é uma grande bobagem. O auto-engano está aí, à disposição de todos, para os mais diversos fins. O auto-engano é do território da emoção - e ninguém está livre dele. Conclusão aristotélica: ninguém está livre da emoção.

E nessa parte do texto eu fico com vontade de agradecer, mas agradecer mesmo, todas as vezes que a emoção é forte demais e sai do controle da razão. É pela emoção que nos sentimos vivos.

Fechado o parênteses - e com uma dificuldade enorme de me focar no objetivo inicial desse texto - começo a pensar na admiração que tenho pelos intuitivos e pelo seu pensamento não linear.

É, minha gente. Era uma vez uma pessoa que ia fazer uma defesa ferrenha de alguma coisa nesse post...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Duas horas lendo blogs que há meses não acessava

Tem gente mais observadora que eu, mais engraçada que eu, mais triste que eu, mais entusiasmada que eu, mais superficial que eu, mais variada que eu, mais filosófica que eu, mais monótona que eu.

Mais chata que eu num dia como hoje? Duvido.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Conversa de bêbado

Então chega um dia em que a pessoa chega à conclusão:"a vida que eu sempre sonhei não existe". Algumas pessoas são/estão melhor preparadas para entender a vida, outras menos. Isso sim é algo de que se deva ter inveja.

domingo, 27 de abril de 2008

Admiração

Intensidade, vida, ânimo, alma. Tem gente que transborda, mesmo tendo bons motivos para não poder.

domingo, 23 de março de 2008

Más companhias

Educadores não são boas companhias pra se falar de guerras como solução para conflitos mundiais.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Bah Bah Bah

Tentei não ser fisgada, mas não foi possível.

Estou entre os milhões de brasileiros que se afeiçoaram pelos estranhos que compartilham da experiência única de serem pessoas desconhecidas e, de repente, famosos, observados 24 horas, testando suas habilidades em conquistar algum carinho ou outro sentimento, por parte dos estranhos do lado de cá, que os mantenha por mais semanas em seu retiro material.

Nunca tinha me interessado por conviver com os componentes dos grupos anteriores, não via interesse em permanecer com aqueles, então não assistia. Assim descobri que o que me mantém interessada nessa edição atual é mais uma espécie de amizade (!?) do que propriamente de voyerismo.

Saberei que a coisa degringolou completamente quando eu tiver anotado o telefone pra ligar. Por enquanto, permaneço lúcida.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Cacique

O Cacique ensina ao Curumim:

- Curumim, tenha em mente que um bicho é um bicho. Não fique triste, bravo, com raiva ou magoado se um bicho se comportar como um bicho. Ele é um bicho e é natural que se comporte como tal. É o caçador quem deve ser mais esperto que o bicho, surpreender o bicho para pegar o bicho.

Minha próxima aquisição será um cocar.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O Bicho

Existe alguma forma de lidar com alguém que não mantém a palavra ou (não dá pra saber) não mantém a memória da palavra empenhada? (no fim dá tudo no mesmo).
Existe alguma forma ou a única saída é procurar manter distância de uma pessoa assim?
E se essa pessoa é A pessoa com possibilidades reais de fazer um grande sonho seu acontecer?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Homenagem

Este post vem sendo preparado há muito. Coisa delicada, falar da morte de um pai.

Um pai que foi, na vida do filho - e que ainda seria, na educação dos netos - uma dose saudável de desequilíbrio que equilibra os excessos de planejamento, responsabilidade e ponderação.

Não reverenciava a vida a ponto de mantê-la "custasse o que custasse". Reverenciava a vida a ponto de colocá-la em risco. Não perdeu nenhum dos paladares que lhe faziam tão bem e tão mal. Não trocou paixões por promessas de vida mais longa. Fez as escolhas mais difíceis, enquanto acreditava decidir não decidir.

Que meu sogro descanse em paz, se assim tiver que ser. Ou que permaneça eternamente falando demais, divertindo e impacientando o todo poderoso, fazendo a mesma bagunça que fazia na terra, agora no céu.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Semelhantes

Gente, acho que estou encontrando parceiros nesse mundo!
A última foi uma outra educadora social em crise com o Paulo Freire!
Nao é fantástico?

Será que os Ufologistas tem razão?
( e quem acha que é único em alguma coisa, só pode estar enganado?)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Um Certo Professor Universitário

De nada adianta estudar, escrever livros e conviver tanto com Paulo Freire se tudo o que se consegue incorporar de suas contribuições são as cadeiras organizadas em círculo. Se é somente para ouvir a verborragia, acho melhor a tradicional organização em fileiras. Pelo menos evita torcicolos.

Ouvir para si a crítica que se faz ao outro não é uma habilidade muito desenvolvida no mundo acadêmico. Até aí, nada diferente do restante da humanidade. Auto-crítica é um esporte para poucos.

Mas essa falha vinda dos intelectuais me irrita um pouco mais do vinda das pessoas em geral. Talvez pela frustração das minhas secretas esperanças de que inteligência, capacidade de análise, articulação dos pensamentos, etc (coisas que eles inegavelmente trazem dentro de si e aplicam muito bem em seus escritos) sejam capazes de produzir resultados mais palpáveis nas interações com as pessoas no mundo real.

E aqui estou eu novamente exigindo coerência das pessoas, assim como faço comigo mesma. E, convenhamos, nem eu mesma consigo me responder à altura de minhas exigências.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Surdos

Fui arremessada pra dentro do universo dos surdos essa semana. E descobri coisas incríveis.

Investigar sobre os surdos me fez relembrar várias coisas que já li e vi. Piaget, a saber das crianças sem estímulos para se desenvolver até muito depois dos 5 anos (nunca mais aprenderão na velocidade que teriam aprendido naquela fase). Baktin, ao considerar as diferenças de um pensamento estruturado por uma linguagem exclusivamente visual. Lacan, ao pensar na importância da linguagem para a formação da identidade.

Me fez ter compaixão por esses estrangeiros em seu próprio país. Me fez vibrar por suas conquistas recentes, pela chegada ao Ensino Superior (que traz como resultado imediato a criação de novas palavras em sua língua e a existência de modelos para suas crianças), pela oficialização da libras - o Brasil tem agora duas línguas oficiais - (o que traz como conseqüências a regulamentação da profissão de intérprete, a criação dos cursos de letras em libras, o interesse de pessoas em aprender a se comunicar com eles). Me aliviei ao saber da superação da pedagogia da oralização - essa violência semelhante à obrigação do canhoto tornar-se destro.

Os surdos são uma civilização que, geração após geração, precisa descobrir o paradeiro de seus membros. Os indivíduos surdos nascem, em geral, membros de uma civilização que não suspeitam existir, filhos de pessoas que não fazem parte da sua cultura.

domingo, 30 de setembro de 2007

Economistas

Estudar economia foi uma grande experiência na minha vida e senti muito a falta dela quando minha pós acabou. A boa notícia é que acabo de encontrar blogs que poderão suprir em parte minhas carências de "contrapontos econômicos".

Existe essa classe de pessoas que se dedicam a investigar todas as minhas ingenuidades organizacionais-sociais e prová-las equivocadas por A + B, com gráficos, causas e conseqüências perfeitamente lógicas.

Apesar de tanta inteligência, os economistas nunca conseguiram propor algo que efetivamente resolvesse certos problemas que eu enxergo. Talvez porque eles não enxerguem ou não acreditem que alguém deva se meter a resolvê-los unilateralmente. Essas entidades difusas, chamadas de "mãos" ou "equilíbrios" darão sempre conta dos recados.

Lamentações à parte, continuo pensando no que fazer pelo Brasil e os economistas têm muito a acrescentar nesse sentido.

Eis os links:
http://bdadolfo.blogspot.com/
http://gustibusgustibus.wordpress.com/