Quando os filhos se vão, evidencia-se o problema de ter se deixado de lado por tantos anos.
Quando o filhos estão, evidencia-se o problema de não conseguir se deixar de lado, em alguma medida.
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terça-feira, 27 de março de 2012
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Uma nova década
Janeiro foi um mês que não pareceu passar depressa demais. A teoria de que o tempo passa mais rápido quanto menos coisas diferentes você faz na sua vida tem mesmo uma boa chance de ser verdade.
2010, já percebi, será um ano sem par - em que estudarei muito, por absoluta vontade. O ano em que já comecei a fazer mestrado antes mesmo de decidir o tema do projeto que submeterei para pleitear minha vaga no programa. O ano em que nem bem começou e - lá estou eu: imergindo e viajando para buscar conhecimento em outras terras.
Pela primeira vez estudo coisas que são exatamente o que eu quero crescer para ser.
Antes, minhas opções haviam sido por "ampliar o leque de possibilidades", "diversificar", "me diferenciar" de outros que estivessem nas minhas redondezas. Acabei virando periferia sem ter centro.
Essa etapa acabou. Já era tempo. Que mês tão feliz!
2010, já percebi, será um ano sem par - em que estudarei muito, por absoluta vontade. O ano em que já comecei a fazer mestrado antes mesmo de decidir o tema do projeto que submeterei para pleitear minha vaga no programa. O ano em que nem bem começou e - lá estou eu: imergindo e viajando para buscar conhecimento em outras terras.
Pela primeira vez estudo coisas que são exatamente o que eu quero crescer para ser.
Antes, minhas opções haviam sido por "ampliar o leque de possibilidades", "diversificar", "me diferenciar" de outros que estivessem nas minhas redondezas. Acabei virando periferia sem ter centro.
Essa etapa acabou. Já era tempo. Que mês tão feliz!
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segunda-feira, 22 de junho de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
Editora da USP
E eis que o último post dos anos 90 vem falar de uma experiência que terá reflexos ao longo de toda a próxima década.
Trabalhei na Editora da USP.
Lá soube o que era trabalhar numa repartição pública. Lá soube o que era ter uma chefe maluca-beleza. Lá soube o que era estruturar um departamento de marketing amador. Lá soube que o empreendedorismo está ao nosso alcance.
Durante os seis meses que fiquei ali, tive uma amostra de vários caminhos que segui ou cogitei seguir mais tarde. Também expandi os limites do meu gosto estético.
Não poderia deixar de fazer essa última menção honrosa, antes da década acabar.
Trabalhei na Editora da USP.
Lá soube o que era trabalhar numa repartição pública. Lá soube o que era ter uma chefe maluca-beleza. Lá soube o que era estruturar um departamento de marketing amador. Lá soube que o empreendedorismo está ao nosso alcance.
Durante os seis meses que fiquei ali, tive uma amostra de vários caminhos que segui ou cogitei seguir mais tarde. Também expandi os limites do meu gosto estético.
Não poderia deixar de fazer essa última menção honrosa, antes da década acabar.
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sábado, 27 de dezembro de 2008
A escolha profissional
Nos anos 90 já estava a todo vapor a disseminação da ideologia pró-globalização. As pressões por competência, informação, produtividade, mobilidade (...) eram constantes. O fantasma do desemprego estrutural estava sempre por perto, nas reportagens praticamente diárias sobre a dificuldade de todos (e mais especialemnte dos jovens) conseguirem seu primeiro emprego.
Não passei impune por tudo isso. Não passei impune principalmente pelo que meus pais pensavam sobre tudo isso.
Não cursei o colegial regular. Não achava meu colégio suficientemente bom e, por alguma razão, não quis mudar para outro. Neguei todos. 8 ou 80. Com o apoio do meu pai.
Além da decepção com o colégio, existia o contraste entre a infelicidade da minha mãe - pessoa de humanas - e a indisfarçável empolgação do meu pai - pessoa de exatas. Comprei a idéia de que, com o pacotinho correto (o das exatas), minha vida seria boa.
Nessa época, já tinha uma grande experiência em renunciar - a ponto de não reconhecer - meus próprios desejos. Aí entra o apoio da minha mãe (na realidade, estou falando aqui do incentivo ao subterfúgio de questionar e suprimir as próprias vontades, sugerido em tantas outras ocasiões).
Em função dessa escolha, desviei da rota que me seria mais natural e vaguei insatisfeita e incompleta por aí, por muito tempo.
A questão estaria melhor resolvida se as origens do pensamento que desembocaram na escolha equivocada estivessem superados. Se as armadilhas estivessem mapeadas e não houvesse mais nenhum perigo.
Mas sei que eu ainda sou essencialmente a mesma. Com essa habilidade extrema de me esconder de mim mesma para não deixar vir à tona que, na verdade, eu preferiria mesmo era tomar o caminho mais arriscado.
Sou assim e é isso que me deixa triste.
Não passei impune por tudo isso. Não passei impune principalmente pelo que meus pais pensavam sobre tudo isso.
Não cursei o colegial regular. Não achava meu colégio suficientemente bom e, por alguma razão, não quis mudar para outro. Neguei todos. 8 ou 80. Com o apoio do meu pai.
Além da decepção com o colégio, existia o contraste entre a infelicidade da minha mãe - pessoa de humanas - e a indisfarçável empolgação do meu pai - pessoa de exatas. Comprei a idéia de que, com o pacotinho correto (o das exatas), minha vida seria boa.
Nessa época, já tinha uma grande experiência em renunciar - a ponto de não reconhecer - meus próprios desejos. Aí entra o apoio da minha mãe (na realidade, estou falando aqui do incentivo ao subterfúgio de questionar e suprimir as próprias vontades, sugerido em tantas outras ocasiões).
Em função dessa escolha, desviei da rota que me seria mais natural e vaguei insatisfeita e incompleta por aí, por muito tempo.
A questão estaria melhor resolvida se as origens do pensamento que desembocaram na escolha equivocada estivessem superados. Se as armadilhas estivessem mapeadas e não houvesse mais nenhum perigo.
Mas sei que eu ainda sou essencialmente a mesma. Com essa habilidade extrema de me esconder de mim mesma para não deixar vir à tona que, na verdade, eu preferiria mesmo era tomar o caminho mais arriscado.
Sou assim e é isso que me deixa triste.
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