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quarta-feira, 20 de junho de 2012

To do list

Aprender a proteger a cria, mesmo magoando outras pessoas que eu amo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Sobre a tirania e a entrega

Ter um filho também provoca reflexões sobre o ego. Faz pensar sobre a tirania (dele e nossa) e sobre a validade ou o prejuízo de, finalmente, ceder (tanto nós, como ele).

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sobre a abertura e a honestidade

Eu te amo e preciso aprender a te amar inclusive quando você me escancara aquilo que eu não gosto em mim. Quando você crescer, vai aprender a ser um pouco mais hábil (= dissimulada, omissa, enrustida?). Por enquanto, tomara que eu tenha a sabedoria de me abrir ao aprendizado que você me proporciona. Mas confesso: é difícil.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sobre o amor e a tarefagem

Os bebês nos denunciam na nossa falta de amor e de presença. Eles não sorriem se você não está lá por inteiro. Eles não valorizam a tarefa pela tarefa, o cumprimento de prazos, os check lists. Eles não são (e não admitem ser tratados como) coisas. As vezes o choro passa só porque você passou a enxergá-los e agir de acordo com o que são: gente.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tanta coisa acontecendo

Tanta coisa acontecendo, aparentemente quase nada acontecendo, quase nenhum tempo para elaborar e refletir sobre o que está acontecendo e pouquíssimo tempo para fazer essa colheita - coisa tão importante pra mim.

Sei que tenho mudado profundamente (mas não da água pro vinho, nem também do dia pra noite).

E já não vai dar - mais uma vez - pra escrever agora. Paola me chama.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Para não perder o link entre as eras

Certo, vamos tentar resumir 2010 e início de 2011...  senão daqui a pouco estarei tão diferente que vai ser difícil o leitor acompanhar o salto:

1) Fiz uma Mandala em que um dos desejos era ter mais clareza da minha identidade profissional. Cheguei a meus quatro grandes predicados: quero ser relevante para o mundo e para as pessoas, faço sínteses e relacionamento de informações muito bem, gosto de trabalhar com meu lado criativo e tenho habilidade para despertar a motivação, a mobilização, a energia e o otimismo de quem está próximo de mim.

2) Participei do Art of Hosting, o que mudou 2 coisas absolutamente cruciais: conheci a colheita como possibilidade de trabalho, conheci a conexão consigo mesmo e com os demais como estilo de vida. Fiz essas duas escolhas e procurei, durante todo o ano passado, viver em consonância.


3) Me aproximei de pessoas com práticas espirituais muito diversas e me alimento no relacionamento com elas. Sinto ainda maiores impulsos de viver de forma sustentável, em comunhão com as pessoas e com o planeta.

4) Fiz muitos cursos livres e pretendo nunca deixar de investir nisso (meu controlador financeiro íntimo que vá passear em outras bandas). Encontros, conversas, insights, aos milhares!


5) Fui submetida a diversas quebras de paradigma - aos poucos percebo que a abundância de fato existe se você vive nessa cultura. E abundância é mais amplo que apenas dinheiro.

Ok, feito o resumo.

domingo, 7 de novembro de 2010

Preciosidades

Foram tantas preciosidades este ano e tão pouco tempo para escrever que já me vejo fazendo uma nova retrospectiva, ao estilo daquela das décadas.

Já-já as férias chegam. Aguardem!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vida de facilitadora - parte 1

Esse foi um dia para guardar para a posteridade. Acabei de voltar da facilitação do 4º encontro de um processo de formação para gestores escolares. Mesmas escolas, dois períodos, dois grupos muito diferentes.

Esse 4º encontro foi um momento de inflexão. No final do 3º encontro, uma gestora do grupo da tarde nos dá uma informação valiosa: ela gostaria de falar menos e receber mais de nossas formações.

Somos contrutivistas. Queremos construir a partir do que nos traz o grupo. Especificamente nesse caso, entendíamos que em nossas discussões muitas trocas preciosas estavam acontecendo, no sentido de questionar algumas crenças limitadoras cultivadas por eles. Mas não adianta o formador enxergar isso, se o participante não enxerga.

Foi um período de planeamento intenso, de muitos auto-questionamentos e muito trabalho de resgate daquilo que tínhamos considerado pérolas, para reuni-las e exibi-las numa vitrine, iluminando-as.

No primeiro grupo, nem foi preciso colocar as peças na vitrine. Alguns participantes chegaram radiantes com os resultados que já começavam a obter a partir de nossas propostas de reflexão (exercícios de visão de futuro, diagnósticos da situação atual, escrita da história institucional da escola). Me senti plena e surpresa. Para algumas pessoas o processo tinha sido ainda mais rico do que o imaginado nos meus sonhos mais irrealistas.

No segundo grupo, descobrimos que tratava-se de uma unanimidade contrária àquele formato de formação. Queriam textos de teóricos, que inspirassem a reflexão. De alguma forma foi o que adivinhamos pelas poucas palavras que, num gesto corajoso e amoroso de uma delas, decidiu fazer a crítica a quem era de direito. Mudamos e isso foi reconhecido pelo grupo. Só então acreditaram que tinham voz e que, de fato, podiam ser ouvidos. Só então puderam ouvir a nossa voz, que reinteradamente afirmou isso, sem sucesso.

Seguiremos num caminho de aporte de idéias, informações, conhecimento e reflexões mais denso, oferecido pelos teóricos, valorizado por ambos os grupos.

Graças a algumas pessoas do primeiro grupo, seguirei mais confiante nas potencialidades da formação com o formato que concebi inicialmente. Graças ao segundo grupo, seguirei mais desconfiante de que esse é um processo a ser oferecido para poucos (e bons).

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Uma carta para o passado

Ontem transformei o que pra mim é uma tarefa bastante dificil em redenção.

Encarando o e-mail que enviaria para os candidatos não escolhidos no processo seletivo, pensei nas vezes em que eu mesma recebi e-mails parecidos. Pensei no que gostaria de ter sabido sobre processos seletivos naquela época. Pensei nas conclusões equivocadas que tirei (e que foram um grande atraso de vida).

O resultado desse revival foi que escrevi o texto abaixo.

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Prezado candidato,

Concluimos a primeira fase da seleção de estagiários para a vaga de auxiliar de classes de reforço, da qual você participou.

O Instituto buscava, nessa primeira fase:

1) a paixão por ensinar;
2) a correta compreensão e opção pelo método sócio-construtivista de ensino e aprendizagem;
3) a crença de que todo ser humano é capaz de aprender.

Por algum motivo, na entrevista da qual você participou, não pudemos identificar um ou mais desses aspectos.

Cada instituição busca perfis de profissionais que combinem mais com suas crenças e formas de entender o mundo. Nosso desejo é que você, sem abandonar aquilo que acredita e traçando seu caminho com coerência, possa encontrar seu espaço no mercado de trabalho, num local que, por compartilhar das mesmas concepções, possa aproveitar todo o potencial que você vem desenvolvendo com base nas suas escolhas.

É possível também que você traga consigo, apesar de não ter demonstrado com clareza, aquilo que procurávamos. Nesse caso, nosso desejo é de que, numa próxima oportunidade, esses aspectos estejam mais fortalecidos e que possamos vir a realizar, lado a lado, a missão de contribuir para a melhoria da educação no Brasil.

Um grande abraço e nossos sinceros agradecimentos pela sua participação.
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Não sei se muda alguma coisa o "não" vir assim ou de outra forma. Também não sei se existe atenção ou alma suficientes numa hora como essa para se ler um e-mail desses "com bons olhos".

Mas eu gostei.

Sinceramente? Quem duvida que o principal destinatário desse e-mail tenha sido, desde o princípio, eu mesma?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Bem-vinda ao lar

A mim parece evidente o efeito da realização, para sempre provisória, do último grande sonho: vias desobstruídas para poder flertar com outras buscas.

Hoje trago novas descobertas até certo ponto surpreendentes, até certo ponto óbvias, até certo ponto assustadoras.

Sou a mesma afinal, ainda que numa casa e num bairro melhores.

Meu buraco é mais em cima. A resposta é mais profunda.

Que engraçado é ser surpreendido por uma coisa que já se sabia...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Anos 2000

O anos 2000 foram anos de expansão, reclassificação, alinhamento, novas certezas.

São encontrados dois novos planetas-anões no sistema solar e plutão é rebaixado para se juntar ao grupo. Também é descoberto o primeiro planeta possívelmente habitável fora do sistema solar. E é confirmada a existência de água em Marte.

Aqui na terra, minha vida se expandiu em muitas viagens, alguns negócios, redirecionamentos na carreira, novas amizades e várias aprendizagens sobre o que realmente importa para mim.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Editora da USP

E eis que o último post dos anos 90 vem falar de uma experiência que terá reflexos ao longo de toda a próxima década.

Trabalhei na Editora da USP.

Lá soube o que era trabalhar numa repartição pública. Lá soube o que era ter uma chefe maluca-beleza. Lá soube o que era estruturar um departamento de marketing amador. Lá soube que o empreendedorismo está ao nosso alcance.

Durante os seis meses que fiquei ali, tive uma amostra de vários caminhos que segui ou cogitei seguir mais tarde. Também expandi os limites do meu gosto estético.

Não poderia deixar de fazer essa última menção honrosa, antes da década acabar.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

ECA-USP

Nos anos 90, a Universidade de São Paulo já não era mais a mesma (e a gente viveu um pouco de seu sucateamento).

Na minha primeira semana de ECA fui parar no jornal. Não estávamos tendo aulas por falta de professores e eu sou toda esquentadinha com essas coisas de "direitos". Fiz protesto, fui entrevistada e meu depoimento foi publicado no Zap, do Estadão.

Continuei esperneando durante o restante do curso, pois as decepções vinham de baciada. Isso que dá ser uma pessoa ávida por conhecimento matriculada num curso picareta. Se deu melhor quem gostava de cerveja...

Mas fiz algumas coisas interessantes: li um texto do Baktin que mudou a minha vida, fizemos uma pesquisa bem interessante sobre gôndolas de supermercados, analisamos um artigo de jornal buscando elementos de persuasão, fiz um retrato cubista dos pontos de ônibus da cidade universitária, escrevi um outro final para um conto do Guimarães me esforçando para utilizar a mesma linguagem dele.

Também fizemos uma campanha contra o trote violento que fortaleceu laços de amizade absolutamente essenciais para mim até hoje. Por causa dela, mais 15 minutos de fama numa entrevista memorável dada à CBN e à Band (nessa última, se não me engano, foi que coloquei o entrevistador "em seu devido lugar"). Eu era braba...

E minha apresentação do TCC confirmou isso. Tentei ser polida, mas não deixei de falar para um dos caras mais respeitados da minha banca que ele não tinha lido meu trabalho direito pra me fazer uma pergunta daquelas. Naquela ocasião, meu orientador confessou que dava um certo medo de mim, quando eu resolvia encrencar com alguma coisa.

Com o tempo eu fui ficando mais macia. Uma grande amiga minha diz que a maneira como a pessoa se relaciona com o mundo é reflexo da maneira como se relaciona consigo mesma.

De fato: foram acontecimentos da década seguinte que me fizeram olhar para a vida de uma forma mais maleável.

Na época da faculdade eu ainda não tinha percebido o quanto era refém de mim mesma.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Inglaterra

Houve uma forte onda de Pagode nos anos 90.

Minha mãe quis me afastar disso e me mandou pra Londres, pra oxigenar um pouco a cabeça e olhar pra tudo em perspectiva. Funcionou. Foram 6 semanas de solidão que me salvaram de uma das vidas que eu poderia ter tido.

Não foi fácil. Eu era, realmente, uma estrangeira. Uma turista. Eu não cabia. Vi tantas coisas legais, conheci tanta gente, mas era como se eu estivesse alheia a tudo, numa bolha.

Lá eu não fui cosmopolita e independente como eu me orgulharia de ter sido. Lá as minhas velhas táticas não funcionavam. Lá eu não conquistei tudo o que quis. Lá eu poderia ter fortalecido algumas boas amizades. O problema é que lá, bem no fundo, eu queria estar aqui.

Mas eu não estava aqui, então eu tive que me virar.

Com isso descobri que eu sou capaz de me adaptar. Descobri que os limites que parecem existir pras nossas ações são, muitas vezes, criados por nós mesmos (e há muito terreno do outro lado da cerca). Me comportei de formas diferentes que ainda continuam disponíveis, se assim eu escolher.

A Inglaterra me ampliou os horizontes em todos os sentidos. Fez com que eu me encontrasse, pelo meu oposto.

E fez com que eu voltasse ainda mais brasileira, mas gostando menos de pagode.

Assim, alguns dias depois, eu fiz o que tinha que fazer...

domingo, 28 de dezembro de 2008

Para viver um grande amor

Os anos 90 foram os anos em que Barrados no Baile embalava os sonhos dos jovens de viverem um grande amor e uma grande adolescência.

Dos meus amores, não posso reclamar. Foram muitos, bastante diversos e mobilizaram em mim várias coisas bacanas. Esse post, ainda que talvez excessivamente sintético, é um tributo à participação de cada um deles (pelo menos dos mais importantes) na minha vida.

- Do namorado modelo, agradeço o despertar.
- Do namorado 10 anos mais velho, agradeço primeiramente a paixão. Agradeço igualmente a clareza e a honestidade infinitas.
- Do namorado ultimoanista, agradeço a proteção e a oportunidade de me ver cantora por um dia.
- Do namorado amigo-de-infância, agradeço aquelas férias.
- Do namorado poeta, agradeço a intensidade e os poemas publicados.
- Do namorado bucólico, agradeço a leveza e a liberdade que conquistei.
- Do namorado maluco-beleza, agradeço a energia e os sustos resultantes das frases de efeito.
- Do namorado comediante, agradeço as muitas risadas e todo o apoio.
- Do namorado aventureiro, agradeço os dias, as noites e os horizontes.
- Do namorado carioca, agradeço a recuperação, a boa forma e a lição.
- Do namorado GV-ista, agradeço a ajudinha e o CD.
- Do namorado literato, agradeço a minha própria ousadia e as infindáveis conversas.

Do namorado marido, o namorado definitivo, agradeço o bem-estar, o aconchego, o amor e a coragem para a tomada de grandes decisões.

sábado, 20 de dezembro de 2008

O irmão da Bia

Nos anos 90 foi lançado o Moving Sound, da Phillips. Não há quem não se lembre do cara no comercial tomando banho, com seu som em formato triangular preso no box tocando "Pump Up the Jam".

Eu voltava pra casa de ônibus escolar naquela época. Tinha um cara muito chato, irmão mais velho de uma menina que era fresca (ou seja, só um pouco menos chata do que ele), que voltava no ônibus com a gente. Eu odiava esse menino. Ele não respeitava nada nem ninguém, enchia demais o saco do meu irmão e era feio e nojento e tudo de ruim.

Mas um dia ele dançou o "Pump up the Jam" no ônibus e eu tive que dar o braço a torcer: nunca tinha visto um menino dançar tão gostoso alguma música assim. Em geral os meninos eram desajeitados.

Demorei um pouco para aceitar que alguém que eu detestava tanto pudesse fazer alguma coisa que eu admirasse.

Talvez essa tenha sido minha experiência mais marcante de superação do maniqueísmo infantil.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Depois daquela noite no Clube Ipê

A década de 90 é marcada pelo aumento de casos de AIDS. Nos anos 90 morreu Renato Russo. Freddie Mercury também. Cazuza tinha morrido no final dos 80, mas eu era pequena demais pra perceber a sua ausência.

Minha madrinha, que era atriz, era tão preocupada com a doença (possivelmente tinha muitos amigos e conhecidos infectados) que antecipou muitas das conversas sobre sexo, camisinha, auto-preservação, que eu fatalmente viria a ter com os adultos.

Aliás, pensando bem, essa minha madrinha sempre antecipava as coisas. Eu devo ter ganho meu primeiro absorvente aos 8 anos de idade, pois ela ganhou um kit da Johnsons e Johnsons que continha vários livrinhos, incluindo "Como falar sobre sexo com minha filha" e me deu. Vamos combinar que estava um pouco cedo para eu pensar nisso.

Sexo eu já sabia que existia desde beeeem cedo. Li aquele livro "De onde viemos?" que explicava tudo bem direitinho, ainda na infância. Mas o olhar menos "científico" para a questão eu tive pela primeira vez depois daquela noite no Clube Ipê.

Eu gostava muito de sair para as danceterias com as colegas de escola, especialmente pra poder conversar de madrugada, já no escuro, quando todas já estavam deitadas na cama. Naquele dia, a conversa se centrou na Milena discorrendo sobre suas recentes ousadias durante uma ficada com um moço. Não se tratava de nada mais do toques em locais estratégicos, mas eram suficientes para que as meninas perguntassem, abestalhadas: "E você deixou???". Ela respondia a tudo com bastante tranquilidade dizendo que sim, visto que "ele queria e ela também". A lógica me pareceu bastante razoável.

Ainda demorou um tanto para eu querer coisas semelhantes, mas a lembrança daquele raciocínio inquestionável certamente tornou tudo mais fácil, quando foi a minha vez.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O primeiro beijo

Meu primeiro beijo aconteceu no condomínio do meu tio, depois de um moço chamado Luis (e apelidado Camões) ter se encantado por uma menina "de estilo" que viu jogando vôlei na quadra do prédio.

O "estilo" a que ele se referia era o prenúncio do grunge, movimento da música e da moda que aconteceu poucos anos depois, em meados dos anos 90. Calça de moleton trazida à força até a altura dos joelhos, camiseta mais-larga-impossível para tirar qualquer vestígio de curva que pudesse ainda estar sugerida, cabelo amarrado de qualquer jeito num rabo de cavalo preso com elástico feito de meia fina.

Paquera durante o jogo, telefonemas durante toda a semana, "love of my life" tocada no violão do outro lado da linha e a certeza de ser única, diferente de todas as outras do universo.

Uma vez que estava "amando e sendo amada", cheguei à conclusao de que precisava ser menos negligente com meu visual. Fiz uma série de pequenos ajustes que estavam ao meu alcance e lá estava eu na semana seguinte, toda bonitinha, para emprestar um livro que ele nunca leria (nem devolveria).

O que aconteceu foi que o moço não encontrou a pessoa única que ele tinha idealizado quando me viu pela primeira vez. E eu desperdicei meu primeiro beijo com alguém que já estava visivelmente decepcionado com a pessoa que encontrou depois de uma semana.

Daí pra frente tive a certeza de que o melhor que temos a fazer em se tratando de relacionamentos é nos mostrar como somos, sempre.

E torcer para que o que somos tenha liga com o que o outro é.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Livros infantis

Os anos 80 foram repletos de palavras. Houve, no Brasil, um boom na literatura infanto-juvenil, impulsionada pela priorização dada à formação de leitores e embalada pelo discurso de redemocratização do país.

Minha mãe nunca me deu livros para ler sem que ela própria lesse um por um até aprovar a qualidade e os "ensinamentos" que as histórias traziam em seu bojo.

Contos de fadas tradicionais, por exemplo, eu conheci fora de casa. Minha mãe nunca quis que eu me educasse para esperar ser salva por um príncipe encantado, nem que eu acreditasse que pessoas eram sempre boas ou sempre más, nem que eu tivesse a ilusão de que ser bela me resolveria todos os problemas.

Alguns livros que eu li quando pequena guardo até hoje por serem realmente de grande significado para mim.

"Pequenininha" é um deles. Conta a história de uma menina que passa um dia na casa da avó e descobre um quarto de coisas antigas. É narrado por uma pessoa adulta - provavelmente o pai da Maia - que fica matutando na sua vontade de guardar a menina no bolso. No final, ele acaba concluindo que se fizesse isso, ela nunca iria perdoá-o por ter deixar de viver tantas aventuras.

"Procurando firme" é a história de uma princesa muito geniosa, chamada Linda Flor, que não gostava dos príncipes que apareciam para salvá-la, que ficava com vontade de fazer os cursos que o irmão fazia para correr o mundo (ao invés dos que ela fazia para ser prendada) e um dia deu um susto em todo mundo quando decidiu colocar seus planos em prática. Saiu "procurando não sei o quê, mas procurando firme!"

Um outro que eu gosto bastante é do "Nicolau teve uma idéia", sobre um homem que ia falando com as pessoas e ia aumentando seu repertório de idéias. Gostava do conceito, mas pra dizer a verdade, nem me lembro muito bem de como terminava.

Esses livros me ensinaram que mais legal é ser pró-ativo, se lançar, ir descobrindo coisas e ir se descobrindo no caminho. Que é legal refletir e ter memórias. Que tendo as perguntas, algum dia a gente chega nas respostas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Transações

Enquanto, nos anos 80, Ronald Reagan e Margareth Tatcher traçavam a política neoliberal, eu e minha família empreendíamos como podíamos.

Meu pai inventou um aparelho, apelidado carinhosamente de canetinha, que, em contato com a pele, acendia um led vermelho ao encontrar uma terminação nervosa. Chegou a vender o aparelho para alguns médicos, recebeu encomendas de acupunturistas, foi legal. Eu ajudava a fazer soldas, acompanhava a produção das plaquinhas eletrônicas e os trabalhos de construção e utilização dos moldes em durepox.

Eu, do meu lado, também ensaiava minhas micro empresas. Uma vez inventei um "perfume de rosas". Amassetei um punhado de pétalas brancas caídas da roseira da minha avó, misturei com álcool e montei uma barraquinha no portão. Não vendi nenhuma gota da poção afrodisíaca, obviamente.

Algum tempo depois, me encantei por um envelope da minha coleção de papeis de carta. Ele tinha um corte interessante, barroco como vim a saber depois. Meu pai anunciou que me mostraria uma coisa foi abrindo o envelope completamente, cuidadosamente, inclusive naquelas partes coladas. Eu fiquei brava por ele estar estragando tamanha preciosidade, ao que ele respondeu com o tradicional "péra, péra, péra". Então ele me mostrou que, a partir daquele envelope, era possível fazer um molde para construir outros semelhantes. Fiz esse e outros, montei envelopes de várias cores, e consegui vender cerca de meia dúzia (não cobriu meu investimento inicial, mas foi bom).

Essas primeiras experiências (depois vieram outras, inclusive com CNPJ) são de alguma forma emblemáticas do que, até o momento, vem a ser meu relacionamento com os negócios. Muito envolvimento, carinho, coragem, diversão. Tino comercial que é bom...

Quem sabe um dia?