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terça-feira, 24 de abril de 2012

Sobre a fragilidade e a força

Então, onde estávamos?

Ah, sim, mudanças...

Em momentos assim, com pouco tempo pra pensar, nossa tendência é aceitar as observações alheias como comprovações de nossas mudanças. Mas me lembro de tantos momentos em que as pessoas estiveram redondamente enganadas a meu respeito... Então prefiro dizer que estou mudando, mas não sei bem em quê. Vou fazer um inventário de fatos para tentar encontrar algumas pistas.

Sei que aborto se tornou um assunto delicado, e todas as demais formas de violência contra a criança se tornaram quase insuportáveis para mim. Argumentos que antes eu achava bobos, descambantes para a chantagem (como "eles são tão indefesos" e "é uma covardia") passaram a ser argumentos definitivos, tão fortes que, na minha atual percepção, dispensam quaisquer outros. Me tornei a pessoa que um dia foi um grande enfado ouvir.

Sei também que a vulnerabilidade da minha recém nascida coloca a mim mesma num estado de vulnerabilidade sem precedentes. O choro dela, quando é sofrido, dói na minha alma. E sinto que se algo de terrível um dia acontecer a ela, também eu ficarei em pedaços para sempre (por ela ser tão frágil e tão importante, eu também estou indefesa).

Talvez por esse motivo a gente se torne tão duro - forte em excesso - na defesa de nossas crias. Deve fazer parte desse pêndulo de força e fraqueza. E acabamos atingindo alguns corações desavisados e acumulando mágoas pelo caminho.

Ainda sobre a força, a gente aprende muito sobre nós com esses pequenos. Sobre o quanto já superamos desafios, o quanto já tentamos coisas que pareciam impossíveis, o quanto nos esforçamos e ficamos bravos e choramos e não desistimos. E sobre o quanto fomos crescendo e ficando patifes, nos protegendo da frustração às custas de evitar as tentativas. Também sobre o quanto não somos generosos, atentos e incentivadores com os crescidos como somos com as crianças.

Também a Paola crescerá. O quanto pensar em tudo isso terá mudado alguma coisa?

sábado, 27 de junho de 2009

Trecho

Daí, recebendo seu e-mail, a ficha cai de que somos "Brothers and Sisters" o tempo inteiro e só fica faltando, às vezes, aquelas partes do roteiro em que se fala sobre essa importância (partes que deixam o episódio doce, todas as vezes).

Obrigada por acrescentar, no nosso roteiro, essa cena...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Como deixei de ser técnica

Na década de 90 morreram Cazuza, Renato Russo, Ayrton Senna, Mamonas Assassinas... Morreu também uma futura técnica de automação da manufatura.

Foi na aula de literatura que isso aconteceu. Péssima era pouco: aquelas aulas eram abaixo de qualquer crítica. Vejam se faz algum sentido terminarmos todo o conteúdo de literatura um semestre antes do curso acabar, sendo que a carga horária de humanas é extremamente reduzida no curso técnico. Mas foi isso que a professora declarou que aconteceu.

De forma que, no último semestre, ela nos deixou livres para "criar nosso próprio movimento cultural-literário". Poderíamos falar sobre qualquer coisa, de qualquer forma que quiséssemos. Depois ela informou que poderíamos fazer qualquer coisa com aquilo que tínhamos ou não tínhamos feito (não seria mais preciso entregar ou apresentar o trabalho).

Mas o fato é que eu decidi fazer um vídeo. E aquilo foi um divisor de águas na minha vida. Há anos não tinha tanto estímulo para fazer alguma coisa. Certamente era melhor do que programar robôs e projetar circuitos...

E foi assim que dei uma guinada na vida e fui prestar vestibular em comunicação. Queria fazer cinema, mas eram cinco as disciplinas na segunda fase da Fuvest, contra duas da publicidade. E eu tinha clareza do quanto teria que remar para ter alguma base mínima para passar no vestibular.

Como consegui é tema para outro post.

domingo, 7 de setembro de 2008

Paradoxos íntimos

Se as pessoas exercitassem mais a metalinguagem/metaanálise/metavisão consigo mesmos, tenho certeza que saberiam qual é a sensação de se ver em paradoxo.

Experimente se perguntar se aquilo que você critica mais fortemente no outro também não acompanha você em suas ações. O resultado é desconcertante, irônico, divertido... e promove a humildade que é uma beleza!

Minha mais recente:
"Não dá pra ter esses professores como participantes das nossas formações. Se eles não acreditam na capacidade de aprendizagem de seus alunos, como é que vão conseguir fazê-los aprender?"

E o pior é que a gente fala isso a sério, acreditando e se dando razão.

domingo, 30 de março de 2008

Casamento da Leonora

Minha mãe volta e meia diz que grandes aprendizados só vêm pela dor. Eu sempre discordei disso, mas nunca tinha um contra-exemplo suficientemente bom para não ser engolida na discussão.

Nunca me senti tão bem cuidada como convidada. Falo do sentimento que agora sinto e que não conhecia: o sentimento de ser muito amada ao mesmo tempo que todos os outros. Esse amor no atacado que talvez só as pessoas muito grandes sejam capazes de praticar.

Minha mãe está errada. Ontem/hoje aprendi grandes coisas por meio da felicidade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Cacique

O Cacique ensina ao Curumim:

- Curumim, tenha em mente que um bicho é um bicho. Não fique triste, bravo, com raiva ou magoado se um bicho se comportar como um bicho. Ele é um bicho e é natural que se comporte como tal. É o caçador quem deve ser mais esperto que o bicho, surpreender o bicho para pegar o bicho.

Minha próxima aquisição será um cocar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O Medo

A gente costuma encarar o medo como algo ruim, que deve ser superado. Acho que é da cultura ocidental julgar o valor de uma pessoa como sendo tanto maior quanto maior for sua coragem e ousadia.

Em geral não encaramos o medo como um aliado, sempre pronto a nos preservar. Associamos o medo... ao monstro. Derrotando o primeiro, o segundo será automaticamente liquidado. Como se monstros não existissem e "perigo" fosse uma palavra ultrapassada.

Prefiro o lema de uma amiga: vou com medo, mas vou.

Vou com o medo que avisa, pondera e acautela. Com o medo que diminui a velocidade dos fatos, mas aumenta as chances de um final feliz.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Eta nome bonito!

Preciso pintar o outro olho do meu Daruma, meu desejo acaba de se concretizar!
Finalmente consegui descobrir o que quero ser quando crescer!
Melhor ainda: descobri que já estou nessa estrada há muito tempo.
De posse da minha identidade, sabendo o "nome" do que eu virei a ser no médio prazo, fica muito mais fácil direcionar minhas ações para que isso efetivamente se concretize.

Consultora em gestão de mudanças para sistemas de ensino.
Eta nome bonito!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Semelhantes

Gente, acho que estou encontrando parceiros nesse mundo!
A última foi uma outra educadora social em crise com o Paulo Freire!
Nao é fantástico?

Será que os Ufologistas tem razão?
( e quem acha que é único em alguma coisa, só pode estar enganado?)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Disfarçando a disciplina

Muitos desafios são superados com a disciplina, que por sua vez leva ao hábito. Não sou muito fã de me impor disciplinas. Mas quando a disciplina aparece em forma de projeto, não é que a coisa fica até divertida?

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Para lidar com minha hiperatividade profissional

Para lidar com minha hiperatividade profissional recorri a quase tudo. Até comprei um livro de auto-ajuda chamado "Meditações para Mulheres que Fazem Demais". Nem é preciso dizer que não ajudou.

O que ajudou mesmo foi ter encontrado o homem que viria a ser meu marido.

Antes que milhões de teorias equivocadas sejam esboçadas, vou contar logo o segredo. Não, eu não estava carente e não "me escondia" atrás do trabalho. Não, o marido também não é enérgico e não é de "fazer exigências". Também não foi exatamente a "convivência" com alguém que sabe relaxar que me fez aprender...

O nome da mudança na minha vida é... The Sims.

Meu marido me apresentou esse jogo de computador que já está em sua sei-lá-qual edição e consiste numa idéia simples: você administra a vida cotidiana de pessoas que você cria. Você verifica e provê o que sua pessoa precisa: banheiro, comida, banho, socialização, ambiente agradável, descanso, diversão. Também faz com que ela realize suas aspirações e evite que seus temores se realizem.

O dia-a-dia dessas pessoas criadas e coordenadas por você também inclui trabalho, mas essa parte é praticamente automática e não exige muito da sua atenção. Vez ou outra você desenvolve uma habilidade, garante que seu personagem não falte nem se apresente em estado deplorável no trabalho e só.

Aos poucos você vai percebendo que boa parte da vida consiste em se manter vivo.

Aconteceu que nesses últimos dias, quando bateu a culpa por não estar utilizando meu tempo para "produzir", um voz serena me apaziguou: "Calma, você só está elevando seu indicador de diversão..." e assim pude continuar livre.

Beira o patético, eu sei. Nem toda história de grandes conquistas é acompanhada por uma trilha sonora épica.

(tan tan-tan-tan, tan-tan-tan, tan, tan, tan, tan, tan!)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Espirais

Eis que a gente volta para o mesmo ponto.
Nossas percepções, entretanto, estão mais aguçadas - ou mais rápidas, pelo menos.
Mesmo voltando pro mesmo ponto, estamos um pouco a frente.
É de espirais - não de círculos - que é feita a vida da gente.