Então, onde estávamos?
Ah, sim, mudanças...
Em momentos assim, com pouco tempo pra pensar, nossa tendência é aceitar as observações alheias como comprovações de nossas mudanças. Mas me lembro de tantos momentos em que as pessoas estiveram redondamente enganadas a meu respeito... Então prefiro dizer que estou mudando, mas não sei bem em quê. Vou fazer um inventário de fatos para tentar encontrar algumas pistas.
Sei que aborto se tornou um assunto delicado, e todas as demais formas de violência contra a criança se tornaram quase insuportáveis para mim. Argumentos que antes eu achava bobos, descambantes para a chantagem (como "eles são tão indefesos" e "é uma covardia") passaram a ser argumentos definitivos, tão fortes que, na minha atual percepção, dispensam quaisquer outros. Me tornei a pessoa que um dia foi um grande enfado ouvir.
Sei também que a vulnerabilidade da minha recém nascida coloca a mim mesma num estado de vulnerabilidade sem precedentes. O choro dela, quando é sofrido, dói na minha alma. E sinto que se algo de terrível um dia acontecer a ela, também eu ficarei em pedaços para sempre (por ela ser tão frágil e tão importante, eu também estou indefesa).
Talvez por esse motivo a gente se torne tão duro - forte em excesso - na defesa de nossas crias. Deve fazer parte desse pêndulo de força e fraqueza. E acabamos atingindo alguns corações desavisados e acumulando mágoas pelo caminho.
Ainda sobre a força, a gente aprende muito sobre nós com esses pequenos. Sobre o quanto já superamos desafios, o quanto já tentamos coisas que pareciam impossíveis, o quanto nos esforçamos e ficamos bravos e choramos e não desistimos. E sobre o quanto fomos crescendo e ficando patifes, nos protegendo da frustração às custas de evitar as tentativas. Também sobre o quanto não somos generosos, atentos e incentivadores com os crescidos como somos com as crianças.
Também a Paola crescerá. O quanto pensar em tudo isso terá mudado alguma coisa?
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terça-feira, 24 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Tanta coisa acontecendo
Tanta coisa acontecendo, aparentemente quase nada acontecendo, quase nenhum tempo para elaborar e refletir sobre o que está acontecendo e pouquíssimo tempo para fazer essa colheita - coisa tão importante pra mim.
Sei que tenho mudado profundamente (mas não da água pro vinho, nem também do dia pra noite).
E já não vai dar - mais uma vez - pra escrever agora. Paola me chama.
Sei que tenho mudado profundamente (mas não da água pro vinho, nem também do dia pra noite).
E já não vai dar - mais uma vez - pra escrever agora. Paola me chama.
sábado, 1 de maio de 2010
Senzala Particular
Para bom entendedor, a última frase do post anterior basta. Sim, existe uma coisa me atrapalhando a vida.
Este ano voltei a estudar bastante. Estou com sede de novos aprendizados, quero entrar no mestrado, enfim...
Descobri que permanece intacta aquela minha velha conhecida: colecionadora de notas máximas, arrebatadora de corações e suspiros docentes. Me sinto em casa, mas não é difícil perceber que este é um lugar terrível.
Essas duas últimas semanas foram excessivamente exigentes no trabalho. Me faltaram horas para realizar aquelas coisas que são - escancaradamente - prioridades para mim (o que me deixa bem triste e mau-humorada).
E o motivo de tanto trabalho é, basicamente, essa tal pessoa que eu sou. Não posso, não tenho recursos para conviver com a idéia de que os outros (sim, esse "ente", abstrato, sem cara, sem nome) me associem a resultados muito inferiores à nota máxima. Porque em algum lugar do meu subconsciente deve estar escrito que eu só serei reconhecida, aceita, amada, se eu tirar a nota máxima.
Esse lugar humano, da possibilidade de errar sem sofrer e, ok, de ser considerada menos inteligente em função disso - qual é o problema? - é o meu "desconhecido". E como todo desconhecido, desperta medo.
Ressalva: até aceito o erro, desde que eu tenha feito todo o meu melhor. O seja: o que não aceito é a leveza do compromisso com limites.
Atire a primeira pedra quem não tem a sua senzala particular - ainda que ela tenha vista para o mar.
Este ano voltei a estudar bastante. Estou com sede de novos aprendizados, quero entrar no mestrado, enfim...
Descobri que permanece intacta aquela minha velha conhecida: colecionadora de notas máximas, arrebatadora de corações e suspiros docentes. Me sinto em casa, mas não é difícil perceber que este é um lugar terrível.
Essas duas últimas semanas foram excessivamente exigentes no trabalho. Me faltaram horas para realizar aquelas coisas que são - escancaradamente - prioridades para mim (o que me deixa bem triste e mau-humorada).
E o motivo de tanto trabalho é, basicamente, essa tal pessoa que eu sou. Não posso, não tenho recursos para conviver com a idéia de que os outros (sim, esse "ente", abstrato, sem cara, sem nome) me associem a resultados muito inferiores à nota máxima. Porque em algum lugar do meu subconsciente deve estar escrito que eu só serei reconhecida, aceita, amada, se eu tirar a nota máxima.
Esse lugar humano, da possibilidade de errar sem sofrer e, ok, de ser considerada menos inteligente em função disso - qual é o problema? - é o meu "desconhecido". E como todo desconhecido, desperta medo.
Ressalva: até aceito o erro, desde que eu tenha feito todo o meu melhor. O seja: o que não aceito é a leveza do compromisso com limites.
Atire a primeira pedra quem não tem a sua senzala particular - ainda que ela tenha vista para o mar.
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sábado, 21 de novembro de 2009
Sonhos - tê-los ou não tê-los?
O desafio agora é redescobrir os sonhos... e talvez não seja tão fácil quanto parece.
Esclarecer "o sonho" pra si mesmo é iniciar uma nova fase - com potencialidades e riscos, ganhos e perdas.
Uma vez esclarecido o sonho para si, começam as escolhas: Correr atrás? Gritar para o mundo "este é meu sonho"? Colocar energia na sua concretização, se defrontar com profundas dificuldades internas, enfrentar bravamente os obstáculos externos? Colocar a força de vontade à prova?
Enquanto o sonho é difuso, enquanto temos a impressão de que ele nem existe, estamos num porto seguro. A brisa bate, a água é calma, a estadia é agradável.
Quando o sonho é explícito, não sair em busca deles é pior do que tê-los adormecidos. Quem seria capaz de nutrir algum apreço por si mesmo ao escolher, de forma consciente, o medo e a acomodação?
Então... querer saber qual é seu sonho já implica num compromisso. Já significa escolher frequentar os maremotos, se for preciso. Significa estar pronto para se despedir da brisa.
Tudo isso sem saber ao certo se o final nos reserva "a grande recompensa" ou uma enorme frustração.
Esclarecer "o sonho" pra si mesmo é iniciar uma nova fase - com potencialidades e riscos, ganhos e perdas.
Uma vez esclarecido o sonho para si, começam as escolhas: Correr atrás? Gritar para o mundo "este é meu sonho"? Colocar energia na sua concretização, se defrontar com profundas dificuldades internas, enfrentar bravamente os obstáculos externos? Colocar a força de vontade à prova?
Enquanto o sonho é difuso, enquanto temos a impressão de que ele nem existe, estamos num porto seguro. A brisa bate, a água é calma, a estadia é agradável.
Quando o sonho é explícito, não sair em busca deles é pior do que tê-los adormecidos. Quem seria capaz de nutrir algum apreço por si mesmo ao escolher, de forma consciente, o medo e a acomodação?
Então... querer saber qual é seu sonho já implica num compromisso. Já significa escolher frequentar os maremotos, se for preciso. Significa estar pronto para se despedir da brisa.
Tudo isso sem saber ao certo se o final nos reserva "a grande recompensa" ou uma enorme frustração.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
A Queda das Torres Gêmeas
Foi na década de 2000 que o terrorismo se estabeleceu definitivamente como força política. Que relação pode isso ter a ver com a vida de uma pacífica mulher brasileira de 30 anos, sem religião definida? Muita coisa.
Nos anos 2000 muitas forças clandestinas que eu mantinha sob o olhar atento e hegemônico do meu implacável alter-ego exigiram seu espaço de existência. Assim, alguns dos meus World Trade Centers não tiveram outra opção senão vir abaixo.
1) o divórcio temporário de meus pais derrubou uma das torres e me empurrou para a terapia.
2) feedbacks arrasadores de colegas de trabalho me empurraram para a SBDG (Sociedade Brasileira das Dinâmicas dos Grupos) e esta se encarregou de aniquilar grandes crenças equivocadas que eu mantinha com carinho.
3) e finalmente, nos anos 2000 eu cedi à força da identidade que sempre gritou para que eu me consagrasse educadora - coisa que eu nunca sonhava me permitir.
Deixei de ser mais uma prepotente para me tornar "apenas" - e deliciosamente - potente.
Na medida do possível.
Nos anos 2000 muitas forças clandestinas que eu mantinha sob o olhar atento e hegemônico do meu implacável alter-ego exigiram seu espaço de existência. Assim, alguns dos meus World Trade Centers não tiveram outra opção senão vir abaixo.
1) o divórcio temporário de meus pais derrubou uma das torres e me empurrou para a terapia.
2) feedbacks arrasadores de colegas de trabalho me empurraram para a SBDG (Sociedade Brasileira das Dinâmicas dos Grupos) e esta se encarregou de aniquilar grandes crenças equivocadas que eu mantinha com carinho.
3) e finalmente, nos anos 2000 eu cedi à força da identidade que sempre gritou para que eu me consagrasse educadora - coisa que eu nunca sonhava me permitir.
Deixei de ser mais uma prepotente para me tornar "apenas" - e deliciosamente - potente.
Na medida do possível.
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domingo, 18 de janeiro de 2009
Redefinindo Ambição
Enquanto a economia mundial passava por seu mais longo período de prosperidade (até 2007), eu tentava de toda forma me tornar uma boa empreendedora e uma boa administradora.
Fui fazer Empretec, tomei surra até não poder mais, sendo memorável aquela experiência traumática da negociação do sapato. Chorei muito naquele dia.
Depois fui fazer GV. Aprendi muitas coisas extremamente valiosas, especialemente quando usadas em organizações com uma mega estrutura e um bom dinheiro para investir. Até tentei usar parte daquele conhecimento nos negócios que tive na vida mas, no geral, esse conhecimento sempre foi muita areia para o meu caminhãozinho.
Hoje vejo que sempre faltou em mim uma coisa essencial para alguém que tenha pretenção de tocar um negócio: não sou uma pessoa movida pela ganância, pelo menos não essa material.
Não se trata de não gostar de dinheiro. Gosto de ser reconhecida pelo meu trabalho e tenho gostado das coisas que tenho conseguido comprar em meu benefício.
Mas quem me conhece sabe que se eu tiver que escolher entre dinheiro e valores, dinheiro e solidariedade, dinheiro e paz, dinheiro e desenvolvimento... bem, dinheiro perde todas as batalhas.
Minha maior ambição é abstrata, conceitual, moral, arquetípica.
Ter nascido Aquário com ascendente em Peixes não poderia passar assim, tão impunemente.
Fui fazer Empretec, tomei surra até não poder mais, sendo memorável aquela experiência traumática da negociação do sapato. Chorei muito naquele dia.
Depois fui fazer GV. Aprendi muitas coisas extremamente valiosas, especialemente quando usadas em organizações com uma mega estrutura e um bom dinheiro para investir. Até tentei usar parte daquele conhecimento nos negócios que tive na vida mas, no geral, esse conhecimento sempre foi muita areia para o meu caminhãozinho.
Hoje vejo que sempre faltou em mim uma coisa essencial para alguém que tenha pretenção de tocar um negócio: não sou uma pessoa movida pela ganância, pelo menos não essa material.
Não se trata de não gostar de dinheiro. Gosto de ser reconhecida pelo meu trabalho e tenho gostado das coisas que tenho conseguido comprar em meu benefício.
Mas quem me conhece sabe que se eu tiver que escolher entre dinheiro e valores, dinheiro e solidariedade, dinheiro e paz, dinheiro e desenvolvimento... bem, dinheiro perde todas as batalhas.
Minha maior ambição é abstrata, conceitual, moral, arquetípica.
Ter nascido Aquário com ascendente em Peixes não poderia passar assim, tão impunemente.
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Logoali.net
Foi na década de 2000 que internet se consolidou como veículo de comunicação em massa.
Isso, atrelado ao fato de eu ter feito curso técnico em eletrônica, graduação em comunicação e ter sido tocada pela possibilidade tornar-se empreendedora sem a necessidade de um alto investimento, foi responsável pela minha primeira iniciativa de negócio: o www.logoali.net.
Existe uma história oculta e não tão charmosa na criação do logoali, mas que o torna extemamente significativo na minha vida. O logoali me salvou de um prenúncio de depressão.
Na época, eu tinha um namorado daqueles, só para simplificar, ótimo em tudo! Um hiperativo que direcionou todas as suas energias para se tornar uma pessoa bem sucedida e admirada. E sempre conseguiu exatamente o que tinha planejado para si.
Vivíamos numa relação, em muito induzida por ele, competitiva. Foi difícil pra mim perceber que aquilo que começou como uma característica de introspecção e maturidade que me diferenciava dele, ao final de tudo, tinha se transformado em melancolia. Eu terminei ofuscada, efetivamente convencida de que nunca poderia ser páreo para tamanho talento.
Foi aí que começou a descida da ladeira. Negação total, mesmo das coisas que eu sempre fiz bem. Estava, no meu imaginário, me transformando num verdadeiro trapo.
Foi então que eu tive essa idéia e meu pai a apoiou com um entusiasmo fora do comum. Comecei a agir ao invés de pensar; a me colocar à prova, ao invés de me analisar. Comecei a perceber que, afinal, eu servia pra algumas coisas.
O logoali acabou, mas eu segui em frente (deixando o namorado pra trás).
Isso, atrelado ao fato de eu ter feito curso técnico em eletrônica, graduação em comunicação e ter sido tocada pela possibilidade tornar-se empreendedora sem a necessidade de um alto investimento, foi responsável pela minha primeira iniciativa de negócio: o www.logoali.net.
Existe uma história oculta e não tão charmosa na criação do logoali, mas que o torna extemamente significativo na minha vida. O logoali me salvou de um prenúncio de depressão.
Na época, eu tinha um namorado daqueles, só para simplificar, ótimo em tudo! Um hiperativo que direcionou todas as suas energias para se tornar uma pessoa bem sucedida e admirada. E sempre conseguiu exatamente o que tinha planejado para si.
Vivíamos numa relação, em muito induzida por ele, competitiva. Foi difícil pra mim perceber que aquilo que começou como uma característica de introspecção e maturidade que me diferenciava dele, ao final de tudo, tinha se transformado em melancolia. Eu terminei ofuscada, efetivamente convencida de que nunca poderia ser páreo para tamanho talento.
Foi aí que começou a descida da ladeira. Negação total, mesmo das coisas que eu sempre fiz bem. Estava, no meu imaginário, me transformando num verdadeiro trapo.
Foi então que eu tive essa idéia e meu pai a apoiou com um entusiasmo fora do comum. Comecei a agir ao invés de pensar; a me colocar à prova, ao invés de me analisar. Comecei a perceber que, afinal, eu servia pra algumas coisas.
O logoali acabou, mas eu segui em frente (deixando o namorado pra trás).
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sábado, 27 de dezembro de 2008
A escolha profissional
Nos anos 90 já estava a todo vapor a disseminação da ideologia pró-globalização. As pressões por competência, informação, produtividade, mobilidade (...) eram constantes. O fantasma do desemprego estrutural estava sempre por perto, nas reportagens praticamente diárias sobre a dificuldade de todos (e mais especialemnte dos jovens) conseguirem seu primeiro emprego.
Não passei impune por tudo isso. Não passei impune principalmente pelo que meus pais pensavam sobre tudo isso.
Não cursei o colegial regular. Não achava meu colégio suficientemente bom e, por alguma razão, não quis mudar para outro. Neguei todos. 8 ou 80. Com o apoio do meu pai.
Além da decepção com o colégio, existia o contraste entre a infelicidade da minha mãe - pessoa de humanas - e a indisfarçável empolgação do meu pai - pessoa de exatas. Comprei a idéia de que, com o pacotinho correto (o das exatas), minha vida seria boa.
Nessa época, já tinha uma grande experiência em renunciar - a ponto de não reconhecer - meus próprios desejos. Aí entra o apoio da minha mãe (na realidade, estou falando aqui do incentivo ao subterfúgio de questionar e suprimir as próprias vontades, sugerido em tantas outras ocasiões).
Em função dessa escolha, desviei da rota que me seria mais natural e vaguei insatisfeita e incompleta por aí, por muito tempo.
A questão estaria melhor resolvida se as origens do pensamento que desembocaram na escolha equivocada estivessem superados. Se as armadilhas estivessem mapeadas e não houvesse mais nenhum perigo.
Mas sei que eu ainda sou essencialmente a mesma. Com essa habilidade extrema de me esconder de mim mesma para não deixar vir à tona que, na verdade, eu preferiria mesmo era tomar o caminho mais arriscado.
Sou assim e é isso que me deixa triste.
Não passei impune por tudo isso. Não passei impune principalmente pelo que meus pais pensavam sobre tudo isso.
Não cursei o colegial regular. Não achava meu colégio suficientemente bom e, por alguma razão, não quis mudar para outro. Neguei todos. 8 ou 80. Com o apoio do meu pai.
Além da decepção com o colégio, existia o contraste entre a infelicidade da minha mãe - pessoa de humanas - e a indisfarçável empolgação do meu pai - pessoa de exatas. Comprei a idéia de que, com o pacotinho correto (o das exatas), minha vida seria boa.
Nessa época, já tinha uma grande experiência em renunciar - a ponto de não reconhecer - meus próprios desejos. Aí entra o apoio da minha mãe (na realidade, estou falando aqui do incentivo ao subterfúgio de questionar e suprimir as próprias vontades, sugerido em tantas outras ocasiões).
Em função dessa escolha, desviei da rota que me seria mais natural e vaguei insatisfeita e incompleta por aí, por muito tempo.
A questão estaria melhor resolvida se as origens do pensamento que desembocaram na escolha equivocada estivessem superados. Se as armadilhas estivessem mapeadas e não houvesse mais nenhum perigo.
Mas sei que eu ainda sou essencialmente a mesma. Com essa habilidade extrema de me esconder de mim mesma para não deixar vir à tona que, na verdade, eu preferiria mesmo era tomar o caminho mais arriscado.
Sou assim e é isso que me deixa triste.
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Interditada
Está rolando um bloqueio para escrever sobre os anos 90. Década de muitos assuntos privados e algumas escolhas erradas que eu não estou querendo revisitar...
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Amizades
Nos anos 80, o Colégio Gávea existia.
O Gávea é uma escola que guardo com muito carinho dentro do meu coração. Reencontrei sua antiga dona numa viagem recente a Petrópolis e entendi melhor porque a escola era do jeito que era: crianças passando o recreio na sala da diretora (explorando jogos e outras coisas interessantes), aula de ouvir histórias e de cantas música dos titãs (dentro da própria grade curricular), meu poeminha sobre a Amazônia virando ficha de estudos de todos os alunos da 4ª série... Como escola, era um sonho (algo que um dia eu quero proporcionar pros meus filhos). Mas também foi palco de muitos momentos difíceis na minha vida.
Por um azar incrível, as duas pessoas que eu costumava chamar de amigas no início da minha vida eram tudo, menos amigas. Hoje sei que existe nome para o que eu vivia: bullying. Não recomendo.
Minha reação ao ser colocada continuamente "de gelo" (situação em que a regra é as pessoas agirem como se você não existisse), orientada pela voz experiente da minha mãe, foi aprender a não ligar, a viver sem precisar de amigos, a me bastar.
Sinto que, mesmo depois de passada a fase brava, nunca mais consegui incluir realmente as amizades na minha vida. Elas existem, eu adoro de paixão meus amigos, mas eles ocupam um lugar marginal na minha rotina. Isso é uma coisa que eu acho, de certa forma, triste (mas só quando paro pra pensar. Do contrário, nem percebo que isso acontece).
Aos dez anos, quando eu estava na 4ª série, quase que tudo passou a ser diferente. Por pouco. Eu me espantei de mudar de classe e tanta gente passar a me achar uma pessoa legal. Fui incluída, convidada, considerada, enturmada. Até hoje acho que aquele foi o ano mais feliz da minha vida (até pelo contraste com os anteriores).
Foi nesse ano que a escola fechou e, com ela, fechou-se também minha janela de oportunidade. As pessoas se espalharam por muitos colégios e eu, bem, não senti imediatamente o quanto tinha me ressentido.
Creio que foi desse momento como em diante que eu eu coloquei definitivamente minhas metas (meus escudos) acima dos meus sentimentos. A partir daí fiz muitas escolhas sem me dar ouvidos de fato. O que me levou pra longe de mim mesma muitas (e importantes) vezes.
Hoje me tenho mais perto. Porém com as idiossincrasias que carrego dessas andanças. Com muitas coisas ainda por equilibrar.
O Gávea é uma escola que guardo com muito carinho dentro do meu coração. Reencontrei sua antiga dona numa viagem recente a Petrópolis e entendi melhor porque a escola era do jeito que era: crianças passando o recreio na sala da diretora (explorando jogos e outras coisas interessantes), aula de ouvir histórias e de cantas música dos titãs (dentro da própria grade curricular), meu poeminha sobre a Amazônia virando ficha de estudos de todos os alunos da 4ª série... Como escola, era um sonho (algo que um dia eu quero proporcionar pros meus filhos). Mas também foi palco de muitos momentos difíceis na minha vida.
Por um azar incrível, as duas pessoas que eu costumava chamar de amigas no início da minha vida eram tudo, menos amigas. Hoje sei que existe nome para o que eu vivia: bullying. Não recomendo.
Minha reação ao ser colocada continuamente "de gelo" (situação em que a regra é as pessoas agirem como se você não existisse), orientada pela voz experiente da minha mãe, foi aprender a não ligar, a viver sem precisar de amigos, a me bastar.
Sinto que, mesmo depois de passada a fase brava, nunca mais consegui incluir realmente as amizades na minha vida. Elas existem, eu adoro de paixão meus amigos, mas eles ocupam um lugar marginal na minha rotina. Isso é uma coisa que eu acho, de certa forma, triste (mas só quando paro pra pensar. Do contrário, nem percebo que isso acontece).
Aos dez anos, quando eu estava na 4ª série, quase que tudo passou a ser diferente. Por pouco. Eu me espantei de mudar de classe e tanta gente passar a me achar uma pessoa legal. Fui incluída, convidada, considerada, enturmada. Até hoje acho que aquele foi o ano mais feliz da minha vida (até pelo contraste com os anteriores).
Foi nesse ano que a escola fechou e, com ela, fechou-se também minha janela de oportunidade. As pessoas se espalharam por muitos colégios e eu, bem, não senti imediatamente o quanto tinha me ressentido.
Creio que foi desse momento como em diante que eu eu coloquei definitivamente minhas metas (meus escudos) acima dos meus sentimentos. A partir daí fiz muitas escolhas sem me dar ouvidos de fato. O que me levou pra longe de mim mesma muitas (e importantes) vezes.
Hoje me tenho mais perto. Porém com as idiossincrasias que carrego dessas andanças. Com muitas coisas ainda por equilibrar.
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sábado, 25 de outubro de 2008
Fotografia Literal 1 - encarando o desafio
No rastro de Laganaro, Kris e outros, publico minha fotografia falada. Convido Bera, Lilian e Gabriel para fazerem o mesmo. Continua meu movimento pró-blog dos amigos, que nessa hora fazem uma falta danada!
No verso, "primavera de 2008".
Hoje estou numa fase boa da minha vida. Me sinto reconhecida (inclusive por mim mesma, vejam que raro!) e recompensada por meu trabalho. Me sinto relevante e não sou explorada - uau! Estou prestes a conquistar (with a little help) algo que desde muito cedo eu encomendei para meus 30 anos: com direito a terraço, lua e, quem sabe?, brisa entrando pela cortina esvoaçante (o saxofone eu resolvi mesmo deixar pra lá).
Ainda não equilibrei vida profissional e vida pessoal - continua sendo um projeto futuro daqueles, assim, bem suaves, tênues, sem contar com tanto esforço para sua realização. Talvez por eu não confiar de verdade. Talvez - mais provável - por eu não querer de verdade.
Sabe o que é? É que as fases ruins da vida não passam impunemente. Me convenci - em camadas profundas demais para não serem sentidos os reflexos em tudo - de que trabalhar, pensar, arquitetar, realizar, era algo para os quais eu tinha mais talento do que para cativar, aproveitar, seduzir, curtir. Pode parecer estranho, mas minha zona de conforto está mais lá do que cá. Confesso que sinto inveja e admiração pelos outros que, nesse sentido, conseguem não ser eu.
Sinto saudades de várias coisas, mas não me arrependo de nada. Não por qualquer princípio normatizador ou qualquer racionalização besta, mas porque, apesar de perdida muitas vezes, acabei fazendo escolhas com "E" maiúsculo, pensadas e combinantes comigo. E isso me tranquiliza.
Às vezes quero mais do que minhas censuras internas permitem. Procuro não reprimir, mas também não realizar. Brinco. Faço com que a fantasia dê conta de realizar o desejo que não pode ser realizado. Conservo a criança para não desestruturar o adulto. E minha vida segue nos eixos...
Não existe um vulcão dentro de mim - pelo menos não um que eu, até agora, não tenha conseguido conter em suas erupções. Mas acho lindo todo aquele magma. Por isso sou fascinada pela pessoas intensas, pelas discussões acaloradas, por "ser inteiro".
Gosto. Desde que nada seja inventado, desde que sinta que tudo é verdadeiro.
No verso, "primavera de 2008".
Hoje estou numa fase boa da minha vida. Me sinto reconhecida (inclusive por mim mesma, vejam que raro!) e recompensada por meu trabalho. Me sinto relevante e não sou explorada - uau! Estou prestes a conquistar (with a little help) algo que desde muito cedo eu encomendei para meus 30 anos: com direito a terraço, lua e, quem sabe?, brisa entrando pela cortina esvoaçante (o saxofone eu resolvi mesmo deixar pra lá).
Ainda não equilibrei vida profissional e vida pessoal - continua sendo um projeto futuro daqueles, assim, bem suaves, tênues, sem contar com tanto esforço para sua realização. Talvez por eu não confiar de verdade. Talvez - mais provável - por eu não querer de verdade.
Sabe o que é? É que as fases ruins da vida não passam impunemente. Me convenci - em camadas profundas demais para não serem sentidos os reflexos em tudo - de que trabalhar, pensar, arquitetar, realizar, era algo para os quais eu tinha mais talento do que para cativar, aproveitar, seduzir, curtir. Pode parecer estranho, mas minha zona de conforto está mais lá do que cá. Confesso que sinto inveja e admiração pelos outros que, nesse sentido, conseguem não ser eu.
Sinto saudades de várias coisas, mas não me arrependo de nada. Não por qualquer princípio normatizador ou qualquer racionalização besta, mas porque, apesar de perdida muitas vezes, acabei fazendo escolhas com "E" maiúsculo, pensadas e combinantes comigo. E isso me tranquiliza.
Às vezes quero mais do que minhas censuras internas permitem. Procuro não reprimir, mas também não realizar. Brinco. Faço com que a fantasia dê conta de realizar o desejo que não pode ser realizado. Conservo a criança para não desestruturar o adulto. E minha vida segue nos eixos...
Não existe um vulcão dentro de mim - pelo menos não um que eu, até agora, não tenha conseguido conter em suas erupções. Mas acho lindo todo aquele magma. Por isso sou fascinada pela pessoas intensas, pelas discussões acaloradas, por "ser inteiro".
Gosto. Desde que nada seja inventado, desde que sinta que tudo é verdadeiro.
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Mentalizando
Depois do comentário do Paulo no post "Sobre as Ondas", fiquei matutando sobre a tendência das esquerdas (e das pessoas que simpatizam com as esquerdas) de transformar pessoas em abstrações.
Certamente a carapuça parece ser feita sob medida para mim. Não conheço ninguém que se sinta tanto um ente imaterial quanto eu.
Há pouco tempo coloquei em prática uma idéia que certamente convencerá o mais cético dos meus leitores de que, bem, eu não devo bater muito bem.
Programei meu celular para tocar todos os dias às 10:00, às 14:00 e às 16:00. Pra quê? Pra me lembrar de beber água e de me livrar da água que bebi no horário anterior. Ainda lamento o fato de meu celular não disponibilizar outros alarmes para que eu me lembre de almoçar e de parar de trabalhar.
Já esqueci meu aniversário e não foram raras as vezes que me surpreendi com minha própria idade (eu era capaz de jurar que tinha uns dois anos a mais!).
Agora, se tem uma coisa que eu não me esqueço é de me perguntar diariamente se estou cumprindo minha proposta de vida.
Sim, eu pertenço ao mundo das idéias, dos conceitos, do modelos, das abstrações.
Talvez seja por isso que o dia tem uma cor diferente quando tenho a oportunidade de dançar e dar um passeio pelas intensidades do mundo dos vivos...
Certamente a carapuça parece ser feita sob medida para mim. Não conheço ninguém que se sinta tanto um ente imaterial quanto eu.
Há pouco tempo coloquei em prática uma idéia que certamente convencerá o mais cético dos meus leitores de que, bem, eu não devo bater muito bem.
Programei meu celular para tocar todos os dias às 10:00, às 14:00 e às 16:00. Pra quê? Pra me lembrar de beber água e de me livrar da água que bebi no horário anterior. Ainda lamento o fato de meu celular não disponibilizar outros alarmes para que eu me lembre de almoçar e de parar de trabalhar.
Já esqueci meu aniversário e não foram raras as vezes que me surpreendi com minha própria idade (eu era capaz de jurar que tinha uns dois anos a mais!).
Agora, se tem uma coisa que eu não me esqueço é de me perguntar diariamente se estou cumprindo minha proposta de vida.
Sim, eu pertenço ao mundo das idéias, dos conceitos, do modelos, das abstrações.
Talvez seja por isso que o dia tem uma cor diferente quando tenho a oportunidade de dançar e dar um passeio pelas intensidades do mundo dos vivos...
domingo, 7 de setembro de 2008
Paradoxos íntimos
Se as pessoas exercitassem mais a metalinguagem/metaanálise/metavisão consigo mesmos, tenho certeza que saberiam qual é a sensação de se ver em paradoxo.
Experimente se perguntar se aquilo que você critica mais fortemente no outro também não acompanha você em suas ações. O resultado é desconcertante, irônico, divertido... e promove a humildade que é uma beleza!
Minha mais recente:
"Não dá pra ter esses professores como participantes das nossas formações. Se eles não acreditam na capacidade de aprendizagem de seus alunos, como é que vão conseguir fazê-los aprender?"
E o pior é que a gente fala isso a sério, acreditando e se dando razão.
Experimente se perguntar se aquilo que você critica mais fortemente no outro também não acompanha você em suas ações. O resultado é desconcertante, irônico, divertido... e promove a humildade que é uma beleza!
Minha mais recente:
"Não dá pra ter esses professores como participantes das nossas formações. Se eles não acreditam na capacidade de aprendizagem de seus alunos, como é que vão conseguir fazê-los aprender?"
E o pior é que a gente fala isso a sério, acreditando e se dando razão.
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quinta-feira, 6 de março de 2008
Dizer não
Defender o próprio território não é uma tarefa fácil para todas as pessoas. Se alguém souber de um curso que ensina isso, por favor, me indique.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Controle
A véspera de viagem de uma pessoa que vai ficar longe por 3 dias diz muito sobre sua necessidade de controle. Ainda mais quando ela acha que tem que ser assim mesmo pra garantir que tudo dê certo.
Isso me faz lembrar um amigo que um dia me perguntou se eu realmente acreditava que um dia iria morrer e eu não pude responder assim com tanta certeza...
Isso me faz lembrar um amigo que um dia me perguntou se eu realmente acreditava que um dia iria morrer e eu não pude responder assim com tanta certeza...
domingo, 20 de janeiro de 2008
Lucidez
Quando uma coisa muito boa - mas muito boa mesmo! - acontece e tem uma responsabilidade grande - mas uma responsabilidade grande mesmo! - associada, a pessoa pode explodir de alegria (pensando na recompensa) ou paralisar de pânico (pensando na tarefa). Ou pode, ainda, manter o equilíbrio de uma felicidade serena. A isso eu chamo maturidade. Ou lucidez.
domingo, 16 de dezembro de 2007
Coordenação de Grupos
Se eu estivesse fazendo a curva de maturidade do SBDG, já teria duas ou mais coisas importantes para falar sobre mim no exercício da coordenação de um grupo.
A primeira: tenho - que bom! - olho de lince para identificar quem não é construtivo para o trabalho do grupo e não deseja sê-lo. Entretanto - que ruim! - tenho a tendência de querer fortalecer os demais contra aquele. Em casos extremos, procuro excluir, não me relacionar e, se possível, tirar a voz do dito cujo. Realmente não sei lidar bem com mau-caráter. Porém cada vez me convenço mais da frase de alguém que demorei a levar em consideração: "Inimigo a gente tem que manter bem próximo, especialmente os perigosos". Vou ter que aprender.
A segunda: tenho - que bom! - um profundo senso de responsabilidade e boa habilidade para administrar conflitos, situações difíceis e informações complexas. Minha metodologia - que ruim! - é trazer tudo para dentro da caixola, processar, filtrar e devolver para as pessoas apenas o sumo daquilo que eu considero importante para a resolução das questões. Não estou discutindo a sobrecarga da pessoa, mas a eficácia do processo. Deixa a desejar. Em geral contribuo apenas parcialmente para instituir a transparência no grupo, por culpa do meu excesso de dedos proveniente, por sua vez, da minha necessidade de ter controle sobre as situações, especialmente as profissionais. Tudo com a melhor das boas intenções de que tudo dê certo. Eu nunca teria falado para alguém "que olhar desconfiado que você tem!" - em grande parte responsável por levar o grupo para um nível de coesão muito maior no dia de ontem. Devolver certos processamentos para quem é de direito (e portanto muito, mais muito mais capaz de fazê-los do que eu, sapa de fora). Isso eu também vou ter que aprender.
A primeira: tenho - que bom! - olho de lince para identificar quem não é construtivo para o trabalho do grupo e não deseja sê-lo. Entretanto - que ruim! - tenho a tendência de querer fortalecer os demais contra aquele. Em casos extremos, procuro excluir, não me relacionar e, se possível, tirar a voz do dito cujo. Realmente não sei lidar bem com mau-caráter. Porém cada vez me convenço mais da frase de alguém que demorei a levar em consideração: "Inimigo a gente tem que manter bem próximo, especialmente os perigosos". Vou ter que aprender.
A segunda: tenho - que bom! - um profundo senso de responsabilidade e boa habilidade para administrar conflitos, situações difíceis e informações complexas. Minha metodologia - que ruim! - é trazer tudo para dentro da caixola, processar, filtrar e devolver para as pessoas apenas o sumo daquilo que eu considero importante para a resolução das questões. Não estou discutindo a sobrecarga da pessoa, mas a eficácia do processo. Deixa a desejar. Em geral contribuo apenas parcialmente para instituir a transparência no grupo, por culpa do meu excesso de dedos proveniente, por sua vez, da minha necessidade de ter controle sobre as situações, especialmente as profissionais. Tudo com a melhor das boas intenções de que tudo dê certo. Eu nunca teria falado para alguém "que olhar desconfiado que você tem!" - em grande parte responsável por levar o grupo para um nível de coesão muito maior no dia de ontem. Devolver certos processamentos para quem é de direito (e portanto muito, mais muito mais capaz de fazê-los do que eu, sapa de fora). Isso eu também vou ter que aprender.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Eta nome bonito!
Preciso pintar o outro olho do meu Daruma, meu desejo acaba de se concretizar!
Finalmente consegui descobrir o que quero ser quando crescer!
Melhor ainda: descobri que já estou nessa estrada há muito tempo.
De posse da minha identidade, sabendo o "nome" do que eu virei a ser no médio prazo, fica muito mais fácil direcionar minhas ações para que isso efetivamente se concretize.
Consultora em gestão de mudanças para sistemas de ensino.
Eta nome bonito!
Finalmente consegui descobrir o que quero ser quando crescer!
Melhor ainda: descobri que já estou nessa estrada há muito tempo.
De posse da minha identidade, sabendo o "nome" do que eu virei a ser no médio prazo, fica muito mais fácil direcionar minhas ações para que isso efetivamente se concretize.
Consultora em gestão de mudanças para sistemas de ensino.
Eta nome bonito!
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Busca pela própria identidade - essa Odisséia - parte 2
Afirmo que a preguiça também é (ao lado da felicidade) uma bússola. No caso, ela aponta sempre obliquamente para o lado onde a gente NÃO está.
É plenamente possível arrastar a si mesmo, a contra gosto, para o lado desaconselhado pela preguiça. Sendo oblíqua - e não diametralmente oposta à essência da pessoa - desobedecê-la nunca deixará marcas de unhas pelos corredores ou sangue pelas paredes.
Eu, que sempre vi a preguiça como uma inimiga - prima pobre da depressão, sentimento inútil que nos tira a atividade sem oferecer nada em troca - desenvolvi várias formas de reagir contra essa pequena vilã.
Mas não há como não admitir: é patente a falta de brilho no olhar e a pouca força nos braços daqueles que se recusam a ceder à preguiça. Somente a "consciência do dever" trabalha a favor dessa gente.
Exatamente porque, neste caso, "dever" e "a favor" são conceitos extremamente discutíveis.
Quem já sentiu a cabeça e as mãos trabalhando antes mesmo de receber uma resposta afirmativa em relação à sua proposta de trabalho sabe do que eu estou falando.
E quem vibrou ao receber o "sim, com condicionantes" sabe mais ainda.
É plenamente possível arrastar a si mesmo, a contra gosto, para o lado desaconselhado pela preguiça. Sendo oblíqua - e não diametralmente oposta à essência da pessoa - desobedecê-la nunca deixará marcas de unhas pelos corredores ou sangue pelas paredes.
Eu, que sempre vi a preguiça como uma inimiga - prima pobre da depressão, sentimento inútil que nos tira a atividade sem oferecer nada em troca - desenvolvi várias formas de reagir contra essa pequena vilã.
Mas não há como não admitir: é patente a falta de brilho no olhar e a pouca força nos braços daqueles que se recusam a ceder à preguiça. Somente a "consciência do dever" trabalha a favor dessa gente.
Exatamente porque, neste caso, "dever" e "a favor" são conceitos extremamente discutíveis.
Quem já sentiu a cabeça e as mãos trabalhando antes mesmo de receber uma resposta afirmativa em relação à sua proposta de trabalho sabe do que eu estou falando.
E quem vibrou ao receber o "sim, com condicionantes" sabe mais ainda.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Mudança de Atitude - Enviando Currículos
É incrível como situações que podem parecer extremamente desconfortáveis, com uma pequena mudança de atitude, tornam-se até prazerosas.
Preparar e enviar currículos, por exemplo. Meus momentos dedicados a essa atividade sempre foram de angústia, muita auto-cobrança, ansiedade e uma mal velada auto-desvalorização.
Sempre havia "as empresas nas quais eu não trabalhei", "os cursos que deixei de fazer", "o espanhol que não pratiquei", "a faculdade que poderia ter sido muito melhor", "a pós que poderia ter sido acadêmica", etc, etc, etc.
Mas eis que, dessa vez, as coisas mudaram. O primeiro currículo que enviei dessa leva solicitava que fosse anexada uma carta de apresentação que contasse sobre minhas experiências e meus resultados, na área pra qual estava me candidatando.
Então um milagre aconteceu. Comecei a escrever e me dei conta de que realmente fiz uma série de coisas legais, muitas vezes com poucos ou nenhum recurso. Quando o medo de ser "pouco" bateu, eu lembrei de me orgulhar do que já pude fazer.
Lembrei de lembrar que são trabalhos respeitáveis, sim, mas de uma pessoa com menos de 10 anos de vida profissional - e que, portanto, meu perfil pode perfeitamente não ser suficiente para a posição em questão, no julgamento da pessoa que está me avaliando. Sim, existem caminhos a percorrer, qual é a novidade?
Aos poucos a leveza foi tomando conta da pessoa e enviar currículos foi se transmutando num exercício de autoconhecimento e desprendimento - tranquilo assim, com o tilintar das fichas caindo. Mas não adianta: a gente só aprende quando a gente aprende.
Nunca mais envio um currículo sem escrever uma carta de apresentação pra acompanhar. Nada como quebrar a dureza das listas com um contrapeso qualitativo.
Preparar e enviar currículos, por exemplo. Meus momentos dedicados a essa atividade sempre foram de angústia, muita auto-cobrança, ansiedade e uma mal velada auto-desvalorização.
Sempre havia "as empresas nas quais eu não trabalhei", "os cursos que deixei de fazer", "o espanhol que não pratiquei", "a faculdade que poderia ter sido muito melhor", "a pós que poderia ter sido acadêmica", etc, etc, etc.
Mas eis que, dessa vez, as coisas mudaram. O primeiro currículo que enviei dessa leva solicitava que fosse anexada uma carta de apresentação que contasse sobre minhas experiências e meus resultados, na área pra qual estava me candidatando.
Então um milagre aconteceu. Comecei a escrever e me dei conta de que realmente fiz uma série de coisas legais, muitas vezes com poucos ou nenhum recurso. Quando o medo de ser "pouco" bateu, eu lembrei de me orgulhar do que já pude fazer.
Lembrei de lembrar que são trabalhos respeitáveis, sim, mas de uma pessoa com menos de 10 anos de vida profissional - e que, portanto, meu perfil pode perfeitamente não ser suficiente para a posição em questão, no julgamento da pessoa que está me avaliando. Sim, existem caminhos a percorrer, qual é a novidade?
Aos poucos a leveza foi tomando conta da pessoa e enviar currículos foi se transmutando num exercício de autoconhecimento e desprendimento - tranquilo assim, com o tilintar das fichas caindo. Mas não adianta: a gente só aprende quando a gente aprende.
Nunca mais envio um currículo sem escrever uma carta de apresentação pra acompanhar. Nada como quebrar a dureza das listas com um contrapeso qualitativo.
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