A mim parece evidente o efeito da realização, para sempre provisória, do último grande sonho: vias desobstruídas para poder flertar com outras buscas.
Hoje trago novas descobertas até certo ponto surpreendentes, até certo ponto óbvias, até certo ponto assustadoras.
Sou a mesma afinal, ainda que numa casa e num bairro melhores.
Meu buraco é mais em cima. A resposta é mais profunda.
Que engraçado é ser surpreendido por uma coisa que já se sabia...
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terça-feira, 16 de junho de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
Esperando
Daí, hoje que estou com tempo e disposição, pareço enferrujada, as palavras não saem.
Os assuntos que tenho pra falar, na verdade, não estão exatamente me interessando... minha nova vida demorando a ficar pronta, minha virada no trabalho chegando a passos lentos demais.
Se eu soubesse qual é a fórmula instantânea da felicidade, seria pra já.
Como não sei, vamos esperar...
Os assuntos que tenho pra falar, na verdade, não estão exatamente me interessando... minha nova vida demorando a ficar pronta, minha virada no trabalho chegando a passos lentos demais.
Se eu soubesse qual é a fórmula instantânea da felicidade, seria pra já.
Como não sei, vamos esperar...
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
O Pequeno Ditador
Nos anos 2000, alguns canditatos a ditadores de esquerda foram eleitos na América Latina. Sobre Chavez, não precisamos nem comentar. Outros ensaiaram mais discretamente conseguir um número de reeleições maior do que as inicialmente acordadas: Uribe, Morales e até o próprio Lula.
Na minha casa, o pequeno candidato a ditador se chama Nicolau. É um Bichon Frizé que ganha todo mundo na base do charme. Carente profissional, ele chega a falar com sua pata direita: "pare de trabalhar me faça um carinho!" Então ele mantem a pata bem firme em cima do nosso braço, como quem diz: "estou falando sério, você não entendeu?".
Então ele pega um pedaço do osso de couro de boi que ele já espatifou inteiro, joga pra cima, rosna, se faz de bravo. Daí olha pra gente com cara sorridente e rabinho enrolado abanando. Não tem como resistir...
E foi dessa forma que ele foi conquistando o lugar no sofá, o direito de deitar na cama e várias refeições extras por dia.
Já sei que precisarei trabalhar bastante minha autoridade antes de resolver ter filhos.
Na minha casa, o pequeno candidato a ditador se chama Nicolau. É um Bichon Frizé que ganha todo mundo na base do charme. Carente profissional, ele chega a falar com sua pata direita: "pare de trabalhar me faça um carinho!" Então ele mantem a pata bem firme em cima do nosso braço, como quem diz: "estou falando sério, você não entendeu?".
Então ele pega um pedaço do osso de couro de boi que ele já espatifou inteiro, joga pra cima, rosna, se faz de bravo. Daí olha pra gente com cara sorridente e rabinho enrolado abanando. Não tem como resistir...
E foi dessa forma que ele foi conquistando o lugar no sofá, o direito de deitar na cama e várias refeições extras por dia.
Já sei que precisarei trabalhar bastante minha autoridade antes de resolver ter filhos.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Transações
Enquanto, nos anos 80, Ronald Reagan e Margareth Tatcher traçavam a política neoliberal, eu e minha família empreendíamos como podíamos.
Meu pai inventou um aparelho, apelidado carinhosamente de canetinha, que, em contato com a pele, acendia um led vermelho ao encontrar uma terminação nervosa. Chegou a vender o aparelho para alguns médicos, recebeu encomendas de acupunturistas, foi legal. Eu ajudava a fazer soldas, acompanhava a produção das plaquinhas eletrônicas e os trabalhos de construção e utilização dos moldes em durepox.
Eu, do meu lado, também ensaiava minhas micro empresas. Uma vez inventei um "perfume de rosas". Amassetei um punhado de pétalas brancas caídas da roseira da minha avó, misturei com álcool e montei uma barraquinha no portão. Não vendi nenhuma gota da poção afrodisíaca, obviamente.
Algum tempo depois, me encantei por um envelope da minha coleção de papeis de carta. Ele tinha um corte interessante, barroco como vim a saber depois. Meu pai anunciou que me mostraria uma coisa foi abrindo o envelope completamente, cuidadosamente, inclusive naquelas partes coladas. Eu fiquei brava por ele estar estragando tamanha preciosidade, ao que ele respondeu com o tradicional "péra, péra, péra". Então ele me mostrou que, a partir daquele envelope, era possível fazer um molde para construir outros semelhantes. Fiz esse e outros, montei envelopes de várias cores, e consegui vender cerca de meia dúzia (não cobriu meu investimento inicial, mas foi bom).
Essas primeiras experiências (depois vieram outras, inclusive com CNPJ) são de alguma forma emblemáticas do que, até o momento, vem a ser meu relacionamento com os negócios. Muito envolvimento, carinho, coragem, diversão. Tino comercial que é bom...
Quem sabe um dia?
Meu pai inventou um aparelho, apelidado carinhosamente de canetinha, que, em contato com a pele, acendia um led vermelho ao encontrar uma terminação nervosa. Chegou a vender o aparelho para alguns médicos, recebeu encomendas de acupunturistas, foi legal. Eu ajudava a fazer soldas, acompanhava a produção das plaquinhas eletrônicas e os trabalhos de construção e utilização dos moldes em durepox.
Eu, do meu lado, também ensaiava minhas micro empresas. Uma vez inventei um "perfume de rosas". Amassetei um punhado de pétalas brancas caídas da roseira da minha avó, misturei com álcool e montei uma barraquinha no portão. Não vendi nenhuma gota da poção afrodisíaca, obviamente.
Algum tempo depois, me encantei por um envelope da minha coleção de papeis de carta. Ele tinha um corte interessante, barroco como vim a saber depois. Meu pai anunciou que me mostraria uma coisa foi abrindo o envelope completamente, cuidadosamente, inclusive naquelas partes coladas. Eu fiquei brava por ele estar estragando tamanha preciosidade, ao que ele respondeu com o tradicional "péra, péra, péra". Então ele me mostrou que, a partir daquele envelope, era possível fazer um molde para construir outros semelhantes. Fiz esse e outros, montei envelopes de várias cores, e consegui vender cerca de meia dúzia (não cobriu meu investimento inicial, mas foi bom).
Essas primeiras experiências (depois vieram outras, inclusive com CNPJ) são de alguma forma emblemáticas do que, até o momento, vem a ser meu relacionamento com os negócios. Muito envolvimento, carinho, coragem, diversão. Tino comercial que é bom...
Quem sabe um dia?
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
domingo, 5 de outubro de 2008
Cada coisa em seu lugar
Tenho ficado mais organizada com a idade. Meu quarto, meu armário, meus arquivos, meus e-mails, tudo o que quero encontrar, encontro com mais facilidade com o passar dos anos.
Em se tratando das coisas palpáveis, talvez esse fenômeno seja resultado de morar num apartamento pequeno e não mais numa casa grande. Uma amiga minha diz que sua receita de sucesso para arrumar as malas para uma viagem é primeiro escolher a mala, depois os itens que irão dentro dela. Todo ser humano precisa de limites.
Em se tratando de bits e bytes, o limite é uma realidade virtualmente impossivel (a não ser que você guarde vídeos ou muitas músicas). Assim, aquela velha tendência de guardar todo o lixo porque "um dia eu posso precisar" impera com toda força. O desafio da organização nos domínios desse reino é maior, mas também consegui uma estratégia interessante para lidar com isso.
Dentro de um grande assunto, crio pastas para arquivar tudo aquilo que se mostra útil desde o primeiro instante, inclusive numerando as pastas para garantir a sequência lógica dos assuntos. Os arquivos que sobram são encaminhados para uma pasta que fica sempre no final da lista intitulada "menos importantes" ou coisa similar.
Um dia desses, um processo de avaliação saiu do controle. O fluxo era tão intenso e o lixo era tanto que quase me vi rendida. Foi então que a experiência da casa grande veio me ajudar. Criei uma pasta chamada "sótão". Encaixotei e levei para o sótão tudo aquilo que não estava nas minhas necessidades imediatas. Sem aquele volume todo na frente dos meus olhos, minha casa ficou mais habitável e pude seguir feliz com minha vida.
Ontem entrei no sótão para tentar encontrar um arquivo. Assim como na vida real, entrar no sótão é sempre uma experiência...
Em se tratando das coisas palpáveis, talvez esse fenômeno seja resultado de morar num apartamento pequeno e não mais numa casa grande. Uma amiga minha diz que sua receita de sucesso para arrumar as malas para uma viagem é primeiro escolher a mala, depois os itens que irão dentro dela. Todo ser humano precisa de limites.
Em se tratando de bits e bytes, o limite é uma realidade virtualmente impossivel (a não ser que você guarde vídeos ou muitas músicas). Assim, aquela velha tendência de guardar todo o lixo porque "um dia eu posso precisar" impera com toda força. O desafio da organização nos domínios desse reino é maior, mas também consegui uma estratégia interessante para lidar com isso.
Dentro de um grande assunto, crio pastas para arquivar tudo aquilo que se mostra útil desde o primeiro instante, inclusive numerando as pastas para garantir a sequência lógica dos assuntos. Os arquivos que sobram são encaminhados para uma pasta que fica sempre no final da lista intitulada "menos importantes" ou coisa similar.
Um dia desses, um processo de avaliação saiu do controle. O fluxo era tão intenso e o lixo era tanto que quase me vi rendida. Foi então que a experiência da casa grande veio me ajudar. Criei uma pasta chamada "sótão". Encaixotei e levei para o sótão tudo aquilo que não estava nas minhas necessidades imediatas. Sem aquele volume todo na frente dos meus olhos, minha casa ficou mais habitável e pude seguir feliz com minha vida.
Ontem entrei no sótão para tentar encontrar um arquivo. Assim como na vida real, entrar no sótão é sempre uma experiência...
sábado, 16 de agosto de 2008
Escancaradamente Ensolarada
Hoje o Rodrigo me mostrou um Podcast do Kris, que trazia entre suas últimas descobertas, uma música do grupo Facto Delafé. Também hoje descobri, escondida depois da última faixa do segundo disco da Maria Rita, "a paixão é como um Deus que quando quer me toma todo o pensamento".
Acho que hoje é um daqueles dias escancaradamente ensolarados em que me sinto além de feliz sem motivo, particularmente sensível para a arte (dias para se aproveitar!). Dias em que não deixo de pensar e teorizar - meu vício (talvez minha essência, quem sabe?) - mas essa atividade não me consome.
O Facto Delafé me fez pensar que eu poderia criar canções como as deles, bastaria começar sentindo o ritmo do sentimento que me acompanha no momento. Descoberto o ritmo, buscar as oscilações - tendências de aumento, de queda, as interruções abruptas ou o desenrolar suave provocado pelos sentimentos - e assim criar a melodia. Ritmo e melodia. Para definir o timbre, o instrumento perfeito, descobrir a textura do sentimento. Tudo muito simples...
A Maria Rita, por sua vez, me despertou o teorizar sobre a paixão - sobre seus ingredientes, sobre alguns pré-requisitos a serem cultivados, sobre a possibilidade ou não de se apaixonar repetidas vezes pela mesma pessoa.
Hoje é um desses dias em que eu acredito que tudo é possível.
Acho que hoje é um daqueles dias escancaradamente ensolarados em que me sinto além de feliz sem motivo, particularmente sensível para a arte (dias para se aproveitar!). Dias em que não deixo de pensar e teorizar - meu vício (talvez minha essência, quem sabe?) - mas essa atividade não me consome.
O Facto Delafé me fez pensar que eu poderia criar canções como as deles, bastaria começar sentindo o ritmo do sentimento que me acompanha no momento. Descoberto o ritmo, buscar as oscilações - tendências de aumento, de queda, as interruções abruptas ou o desenrolar suave provocado pelos sentimentos - e assim criar a melodia. Ritmo e melodia. Para definir o timbre, o instrumento perfeito, descobrir a textura do sentimento. Tudo muito simples...
A Maria Rita, por sua vez, me despertou o teorizar sobre a paixão - sobre seus ingredientes, sobre alguns pré-requisitos a serem cultivados, sobre a possibilidade ou não de se apaixonar repetidas vezes pela mesma pessoa.
Hoje é um desses dias em que eu acredito que tudo é possível.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Final de Semana
Pensei na semana passada: ainda bem que existem os finais de semana de descanso para podermos trabalhar em paz.
Fala sério, isso não é vida, né?
Fala sério, isso não é vida, né?
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Coordenação de Grupos II
E lá vou eu de novo, o pepino me aguarda. Lusco-fusco só para os fortes. Esconda-se quem puder.
domingo, 6 de abril de 2008
Que venham os exemplares
Depois de acumular pontos por gastar bons dinheiros durante o ano no cartão de crédito, fui até o site para resgatar meus pontos. Agora a Editora Abril sabe que tenho interesse por um determinado título de seu portfólio enquanto eu, de outro lado, fico feliz em receber gratuitamente meu presente durante 6 meses - de valor certamente muito inferior à soma do que os lojistas pagaram para terem o benefício da minha compra. Não importa. Energia, dinheiro e Bons Fluidos são pra circular, não para reter.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Expectativa
Toda dor vem do desejo de não sentirmos dor. Frase em homenagem a uma certa reunião de avaliação de um certo evento.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Dizer não
Defender o próprio território não é uma tarefa fácil para todas as pessoas. Se alguém souber de um curso que ensina isso, por favor, me indique.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Disputa pelo tempo
Quanto maiores são as coisas que você está fazendo, menor sua possibilidade de falar sobre elas.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Bah Bah Bah
Tentei não ser fisgada, mas não foi possível.
Estou entre os milhões de brasileiros que se afeiçoaram pelos estranhos que compartilham da experiência única de serem pessoas desconhecidas e, de repente, famosos, observados 24 horas, testando suas habilidades em conquistar algum carinho ou outro sentimento, por parte dos estranhos do lado de cá, que os mantenha por mais semanas em seu retiro material.
Nunca tinha me interessado por conviver com os componentes dos grupos anteriores, não via interesse em permanecer com aqueles, então não assistia. Assim descobri que o que me mantém interessada nessa edição atual é mais uma espécie de amizade (!?) do que propriamente de voyerismo.
Saberei que a coisa degringolou completamente quando eu tiver anotado o telefone pra ligar. Por enquanto, permaneço lúcida.
Estou entre os milhões de brasileiros que se afeiçoaram pelos estranhos que compartilham da experiência única de serem pessoas desconhecidas e, de repente, famosos, observados 24 horas, testando suas habilidades em conquistar algum carinho ou outro sentimento, por parte dos estranhos do lado de cá, que os mantenha por mais semanas em seu retiro material.
Nunca tinha me interessado por conviver com os componentes dos grupos anteriores, não via interesse em permanecer com aqueles, então não assistia. Assim descobri que o que me mantém interessada nessa edição atual é mais uma espécie de amizade (!?) do que propriamente de voyerismo.
Saberei que a coisa degringolou completamente quando eu tiver anotado o telefone pra ligar. Por enquanto, permaneço lúcida.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Carpe Diem
Não dá pra contar tudo como líquido e certo.
Mas também não dá pra não contar.
Carpe Diem, inclusive na parte do dia em que se sonha o futuro.
Mas também não dá pra não contar.
Carpe Diem, inclusive na parte do dia em que se sonha o futuro.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Controle
A véspera de viagem de uma pessoa que vai ficar longe por 3 dias diz muito sobre sua necessidade de controle. Ainda mais quando ela acha que tem que ser assim mesmo pra garantir que tudo dê certo.
Isso me faz lembrar um amigo que um dia me perguntou se eu realmente acreditava que um dia iria morrer e eu não pude responder assim com tanta certeza...
Isso me faz lembrar um amigo que um dia me perguntou se eu realmente acreditava que um dia iria morrer e eu não pude responder assim com tanta certeza...
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Reviravoltas
Perdi oportunidades de escrever posts interessantes essa semana.
Mas, também, se eu tivesse escrito todos, meus leitores achariam que eu sou esquizofrênica.
Mas, também, se eu tivesse escrito todos, meus leitores achariam que eu sou esquizofrênica.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Insolúvel
O que é certo é certo.
O que é errado é errado.
O problema é que, às vezes, o que é certo dá errado e o oposto também não é verdadeiro.
O que é errado é errado.
O problema é que, às vezes, o que é certo dá errado e o oposto também não é verdadeiro.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Preparativos
Hoje é dia. Em comemoração, pintarei as unhas na cor Paris - com uma camada de extra brilho, pra durar mais. Que dure pra sempre.
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