Quando os filhos se vão, evidencia-se o problema de ter se deixado de lado por tantos anos.
Quando o filhos estão, evidencia-se o problema de não conseguir se deixar de lado, em alguma medida.
terça-feira, 27 de março de 2012
A Aposta
Há dois dias teria sido mais fácil escrever sobre essa felicidade, acontecida aqui mesmo na realidade, não-ficção. Minha cabeça ainda não estava tão bagunçada e eu podia ser feliz sem ressalvas. Agora escrevo com uma felicidade um pouco interrompida, mas ainda assim, isso importa. Da cabeça eu cuido logo mais.
Pois bem, essa criança de 8 anos que eu não conheço bem estava perdendo o chamado final para aprender a ler e escrever (antes de se ver condenado para sempre). A professora já não tinha esperanças. Ele estava, além disso, ressentido por ter que ficar sozinho em casa e pelo fato do pai ter ido embora pra Bahia sem avisar ninguém. Revoltou-se, é justo. Recebeu o troco, como era nos antigamentes. A bola de neve começava a aumentar.
Onde tudo era complexidade e impotência, eu apostei na conquista das palavras. Apostei no pouco que aquela mãe sabia a respeito das letras e no muito amor que tinha por esse filho.
Descobri mais de 40 palavras que podiam ser escritas apenas com as letras do nome do menino - a única coisa que ele sabia escrever. Apostei em tudo o que ele poderia concluir sozinho, colocando as palavras numa disposição calculada, algumas estratégicas lado a lado.
Mostrei meu plano para a mãe, ajustamos, eliminamos algumas palavras que ela não conhecia e imprimi aquela tentativa. Apostamos naquele papel como num bilhete premiado.
E o menino despertou. Não sei se pelo amor de mãe, se pela atenção dessa estranha que se debruçou sobre as letras do seu nome ou se pela genialidade do sistema alfabético. O fato é que ele quer conhecer outras palavras e desvendar as propriedades de outras letras.
E seu coração está mais calmo.
E seu pai ligou.
E sua mãe encontrou alguém que pode ficar com ele, quando ela não está.
A professora passou a ver vida onde via seca.
A mãe passou a ver uma mestra, ainda que frágil, onde só via lacunas.
E a estranha viu, na contramão do comumente, a beleza corroendo a dúvida.
Pois bem, essa criança de 8 anos que eu não conheço bem estava perdendo o chamado final para aprender a ler e escrever (antes de se ver condenado para sempre). A professora já não tinha esperanças. Ele estava, além disso, ressentido por ter que ficar sozinho em casa e pelo fato do pai ter ido embora pra Bahia sem avisar ninguém. Revoltou-se, é justo. Recebeu o troco, como era nos antigamentes. A bola de neve começava a aumentar.
Onde tudo era complexidade e impotência, eu apostei na conquista das palavras. Apostei no pouco que aquela mãe sabia a respeito das letras e no muito amor que tinha por esse filho.
Descobri mais de 40 palavras que podiam ser escritas apenas com as letras do nome do menino - a única coisa que ele sabia escrever. Apostei em tudo o que ele poderia concluir sozinho, colocando as palavras numa disposição calculada, algumas estratégicas lado a lado.
Mostrei meu plano para a mãe, ajustamos, eliminamos algumas palavras que ela não conhecia e imprimi aquela tentativa. Apostamos naquele papel como num bilhete premiado.
E o menino despertou. Não sei se pelo amor de mãe, se pela atenção dessa estranha que se debruçou sobre as letras do seu nome ou se pela genialidade do sistema alfabético. O fato é que ele quer conhecer outras palavras e desvendar as propriedades de outras letras.
E seu coração está mais calmo.
E seu pai ligou.
E sua mãe encontrou alguém que pode ficar com ele, quando ela não está.
A professora passou a ver vida onde via seca.
A mãe passou a ver uma mestra, ainda que frágil, onde só via lacunas.
E a estranha viu, na contramão do comumente, a beleza corroendo a dúvida.
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sexta-feira, 23 de março de 2012
A vida continua
Pois sim, a Paola já nasceu... está com 6 semanas, completadas ontem.
Escrevi um diário em papel durante a gestação - que foi muito bonita e culminou num parto idem. Optei por manter o que é íntimo, íntimo (por menos visitas que este espaço ainda receba).
E voltei aqui não para dar satisfações, mas por me sentir chamada para escrever sobre um assunto meu. E comprovar, muito satisfeita, que vida de "mãe-ela-mesma" continua (mesmo depois que filho nasce e sendo tão pequeno).
Querido blog, que bom te reencontrar. E que bom que ainda podemos ser "só nós dois".
Escrevi um diário em papel durante a gestação - que foi muito bonita e culminou num parto idem. Optei por manter o que é íntimo, íntimo (por menos visitas que este espaço ainda receba).
E voltei aqui não para dar satisfações, mas por me sentir chamada para escrever sobre um assunto meu. E comprovar, muito satisfeita, que vida de "mãe-ela-mesma" continua (mesmo depois que filho nasce e sendo tão pequeno).
Querido blog, que bom te reencontrar. E que bom que ainda podemos ser "só nós dois".
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Volta pra casa e tributo a Brecht
Entrei nesse meu espaço com um certo medo da quantidade de teias de aranha que iria encontrar. E agradeci ter feito o último resumo há poucos meses.
Essa ainda é a minha casa.
Vai ser importante ter um repositório de reflexões, nessa nova fase, em que estou gestando aquele que vem depois de mim. E será muito bom que, também ele, possa ter a chance de, um dia, lembrar-se de mim com compreensão.
Para entender o tributo à Brecht: http://anidabar.wordpress.com/2011/06/15/1164/
Essa ainda é a minha casa.
Vai ser importante ter um repositório de reflexões, nessa nova fase, em que estou gestando aquele que vem depois de mim. E será muito bom que, também ele, possa ter a chance de, um dia, lembrar-se de mim com compreensão.
Para entender o tributo à Brecht: http://anidabar.wordpress.com/2011/06/15/1164/
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Para não perder o link entre as eras
Certo, vamos tentar resumir 2010 e início de 2011... senão daqui a pouco estarei tão diferente que vai ser difícil o leitor acompanhar o salto:
1) Fiz uma Mandala em que um dos desejos era ter mais clareza da minha identidade profissional. Cheguei a meus quatro grandes predicados: quero ser relevante para o mundo e para as pessoas, faço sínteses e relacionamento de informações muito bem, gosto de trabalhar com meu lado criativo e tenho habilidade para despertar a motivação, a mobilização, a energia e o otimismo de quem está próximo de mim.
2) Participei do Art of Hosting, o que mudou 2 coisas absolutamente cruciais: conheci a colheita como possibilidade de trabalho, conheci a conexão consigo mesmo e com os demais como estilo de vida. Fiz essas duas escolhas e procurei, durante todo o ano passado, viver em consonância.
3) Me aproximei de pessoas com práticas espirituais muito diversas e me alimento no relacionamento com elas. Sinto ainda maiores impulsos de viver de forma sustentável, em comunhão com as pessoas e com o planeta.
4) Fiz muitos cursos livres e pretendo nunca deixar de investir nisso (meu controlador financeiro íntimo que vá passear em outras bandas). Encontros, conversas, insights, aos milhares!
5) Fui submetida a diversas quebras de paradigma - aos poucos percebo que a abundância de fato existe se você vive nessa cultura. E abundância é mais amplo que apenas dinheiro.
Ok, feito o resumo.
1) Fiz uma Mandala em que um dos desejos era ter mais clareza da minha identidade profissional. Cheguei a meus quatro grandes predicados: quero ser relevante para o mundo e para as pessoas, faço sínteses e relacionamento de informações muito bem, gosto de trabalhar com meu lado criativo e tenho habilidade para despertar a motivação, a mobilização, a energia e o otimismo de quem está próximo de mim.
2) Participei do Art of Hosting, o que mudou 2 coisas absolutamente cruciais: conheci a colheita como possibilidade de trabalho, conheci a conexão consigo mesmo e com os demais como estilo de vida. Fiz essas duas escolhas e procurei, durante todo o ano passado, viver em consonância.
3) Me aproximei de pessoas com práticas espirituais muito diversas e me alimento no relacionamento com elas. Sinto ainda maiores impulsos de viver de forma sustentável, em comunhão com as pessoas e com o planeta.
4) Fiz muitos cursos livres e pretendo nunca deixar de investir nisso (meu controlador financeiro íntimo que vá passear em outras bandas). Encontros, conversas, insights, aos milhares!
5) Fui submetida a diversas quebras de paradigma - aos poucos percebo que a abundância de fato existe se você vive nessa cultura. E abundância é mais amplo que apenas dinheiro.
Ok, feito o resumo.
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quarta-feira, 16 de março de 2011
domingo, 7 de novembro de 2010
Preciosidades
Foram tantas preciosidades este ano e tão pouco tempo para escrever que já me vejo fazendo uma nova retrospectiva, ao estilo daquela das décadas.
Já-já as férias chegam. Aguardem!
Já-já as férias chegam. Aguardem!
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